quinta-feira, 28 de abril de 2011

Trabalhadores do Turismo: o informal prevalece

O modelo estabelecido pela sociedade do trabalho tem desempenhado importante papel na forma que hoje observamos os trabalhadores no setor de turismo. Temos muitas alternativas quando se fala em trabalho no turismo desde a venda de souvenirs, barraquinhas de bugigangas até a exploração sexual ou, como alguns autores denominam, o “turismo sexual”.

Cabe ressaltar que a atividade turística atualmente é tomada pela informalidade, pelo despreparo e pelo desrespeito das autoridades. Só é considerado trabalhador do turismo aquele que paga os devidos impostos, aqueles que de fato organizam e executam a atividade não são vistos e quando se fala deles são considerados um problema social.

A consciência de classes destes trabalhadores que fazem acontecer à atividade em todas as cidades consideradas turísticas ainda está baixa, poucos são ouvidos, ainda são poucos os estudos da área que de certa forma podem amparar e tentar mudar a realidade destes trabalhadores. E nesse sentido, deve-se ressaltar que muitos desses trabalhadores não se reconhecem enquanto agentes da transformação, muitas vezes, pelo fato de que esse ambiente de trabalho está exposto as mais variadas práticas capitalistas de esconder a exploração desses trabalhadores sob os cenários glamurosos dos hotéis, por exemplo, que cercam a atividade turística.

Os conselhos municipais de turismo vedam os olhos para esses “excluídos” que desenvolvem a atividade turística no Brasil, sejam eles, os piranhas das Três Fronteiras e de outras cidades brasileiras ou os vendedores ambulantes de souveniers, todos merecem o respeito e a dignidade de desempenhar seu papel na sociedade e afinal de fazer o turismo acontecer.

O primeiro de maio está próximo e possibilita refletirmos novamente como estão às formas de trabalho que o turismo esta desenvolvendo e quais políticas devem ser seguidas. Assim, é necessário mobilização para que as dificuldades destes trabalhadores sejam explicitadas e que a importância de cada um destes inúmeros informais seja ressaltada. Que a luta da classe trabalhadora se enriqueça tanto nos movimentos sociais e sindicatos quanto nos assuntos acadêmicos dos bacharéis em turismo.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

1º de maio: da luta de classes à festividade coletiva.


Por estar próximo o 1º de maio, o MFZ estará apresentando textos voltados ao dia do trabalhador, afinal, esta data é reconhecida por protestos e manifestações da classe operária.


É bastante comum vermos em cidades maiores a classe trabalhadora reunida para “festejar” o dia 1º de maio. Neste dia incomum, o poder público proporciona aos trabalhadores, que se concentram em massa, um dia especial com apresentações artísticas, sorteios de apartamentos, casas, carros e até valores em dinheiro.

Lá no palanque, políticos eufóricos anunciam o aumento do salário mínimo (onde os reajustes anuais são sempre menores que os índices reais de inflação), os novos planos habitacionais, entre outras façanhas que merecem destaque por parte do governo.

Entre a comemoração e a politicagem que ocorre no dia, surge uma pergunta intrigante: Será que o dia do trabalhador, foi criado para proporcionar um dia de descanso e lazer para a classe proletária? Ou será que está data possui outro significado? Afinal de contas que dia é este? O que devemos lembrar?

Para responder tal pergunta é necessário analisar o momento histórico ao qual foi criada a data, assim, devemos nos reportar para o ano de 1886, onde na época a classe trabalhadora descontente com a elevada carga horária praticada pelas fabricas, decidem reivindicar a diminuição no tempo de trabalho. Naquela época, um empregado chegava a trabalhar até 18 horas por dia sem interrupções. Essa movimentação em torno da redução da carga horária teve inicio em Chicago nos Estados Unidos e ocorreu no mês de maio. 

Como saldo das inúmeras reivindicações e protestos ocorridos, a história nos revela que vários trabalhadores foram mortos pela polícia que reprimia severamente os manifestantes. Por tudo isso, em 1889, representantes de entidades de trabalhadores espalhadas pelo mundo decidiram estabelecer uma data anual para que em todos os países e em todas as cidades, os trabalhadores lutassem pela redução da jornada de trabalho para 8 horas. A data escolhida foi o 1º de Maio, como homenagem às lutas sindicais que ocorreram em Chicago.

Este breve histórico é apresentado para que o leitor perceba que em momento algum, a data foi criada como forma de celebração ou festividade, muito pelo contrário, esta data existe para fortalecer a categoria dos trabalhadores, com reflexões, apontamentos, lutas e reivindicações. 

Apesar do 1º de maio ter todo um significado, vemos que no Brasil este dia não parece seguir os ideais. Se analisarmos o 1º de maio no Brasil percebe-se que desde 1904 a data começou a ser utilizada pela classe trabalhadora como dia de conscientização e mobilização. Entretanto, na década de 40 o governo assumiu as comemorações do 1º de maio e transformou a data que deveria ser de luta em dia festivo, ou seja, o governo consegue desvirtuar o dia do trabalhador, fazendo com que o próprio trabalhador se iluda com a festividade e acaba por esquecer o real significado da data.

Nesta lógica, o MFZ traz esta reflexão com vistas à conscientização da classe trabalhadora, que deve enxergar nesta data, não um simples feriado nacional, mais um dia de luto e de luta que foi marcado pelo massacre de inúmeros trabalhadores que não aceitaram as condições impostas pelos capitalistas e reivindicaram melhores condições de trabalho. 


terça-feira, 26 de abril de 2011

Aos trabalhadores!

            A expansão do capital é articulada por meio de modificações nos processos produtivos e de mudanças ideológicas que visam neutralizar as situações de conflito. No primeiro momento observa-se o esforço econômico e científico de fazer com que o trabalho vivo seja desnecessário, diminuindo as vagas, terceirizando serviços e informatizando processos. Esta primeira transformação tem como objetivo duas coisas: 1) aumentar a produção e, consequentemente, o lucro e; 2) fazer com que o trabalhador seja desnecessário, pois segundo o capitalista é ele o maior obstáculo nas tentativas de ampliação do capital.

            Nesta concepção, é o trabalhador que possui limites físicos que impedem a acentuação dos ritmos de produção. É o trabalhador que possui limites psicológicos para suportar a cobrança das metas e dos objetivos pré-estabelecidos. É com o trabalhador que a empresa gasta parte significativa do seu dinheiro no pagamento de impostos. É o trabalhador que “brinca” em serviço e provoca acidentes de trabalho. É o trabalhador que consciente ou não possui recursos e condições de resistir ao aumento da exploração e dos antagonismos de classe. Por tudo isso, ele precisa ser eliminado.

            Ele precisa ser eliminado de forma ideológica. É preciso fazer com que o trabalhador não se observe como um sujeito histórico, não se observe como um elemento fundamental no processo de acumulação, não se observe em uma posição de classe antagônica à do capitalista. Utilizando da indústria cultural e dos acadêmicos pretensiosos engajados na defesa do modelo atualmente existente, cria-se o mito do empreendedor e do colaborador. Em ambos os casos, o esforço é arraigar na consciência coletiva a ausência de conflito de classe, abrindo espaço para alianças e para a individualidade, fragmentando sindicatos e impedindo a consciência de classe.

            Ele precisa ser eliminado fisicamente. O esforço do capitalismo é eliminar o trabalho vivo do setor produtivo, fazer com que a produção de bens não dependa mais dos homens, pois são estes que dificultam a ampliação do processo de extração de mais-valia e são estes que podem se organizar e resistir à constante exploração, interrompendo a produtividade e a expansão do capital. Não suficiente, eliminar o trabalhador fisicamente significa eliminar os trabalhadores excedentes, aqueles que constantemente desequilibram os salários e os valores dos produtos, aqueles que desenvolvem formas alternativas de vida, aqueles que devido a precariedade de sua existência ameaçam a segurança pública.

            Os poucos apontamentos realizados indicam dois caminhos de luta. É preciso que os sindicatos e todos os trabalhadores não organizados entendam sua importância no processo de acumulação de capital e exijam melhores condições de trabalho, explicitando sua posição de classe e sua posição diante dos processos de exploração e acumulação de capital. Além disso, também precisam observar os vínculos entre as diversas lutas dos movimentos sociais e apoiar de forma incondicional a organização dos trabalhadores desempregados. Cabe a estes se organizarem e lutarem por outro mundo, não naturalizando as situações dadas e construindo um projeto onde todos possuam as mesmas condições de existência. É somente a partir da consciência crítica do trabalhador, onde este se afirma como sujeito histórico e como construtor da mudança, que podemos pensar numa nova estrutura social.



segunda-feira, 25 de abril de 2011

Manifestação Artística


Na semana que antecede o 1º de maio estaremos postando assuntos relevantes e pertinente ao trabalhador e o que realmente o 1º de maio representa e significa. Não só uma data de descanso ou para um churrasco na empresa, mas para pensar o trabalhador como um sujeito fundamental na sociedade.

Perguntas De Um Operário Que Lê.
Quem construiu Tebas, a das sete portas?
Nos livros vem o nome dos reis,
Mas foram os reis que transportaram as pedras?
Babilônia, tantas vezes destruída,
Quem outras tantas a reconstruiu? Em que casas
Da Lima Dourada moravam seus obreiros?
No dia em que ficou pronta a Muralha da China para onde
Foram os seus pedreiros? A grande Roma
Está cheia de arcos de triunfo. Quem os ergueu? Sobre quem
Triunfaram os Césares? A tão cantada Bizâncio
Só tinha palácios
Para os seus habitantes? Até a legendária Atlântida
Na noite em que o mar a engoliu
Viu afogados gritar por seus escravos.

O jovem Alexandre conquistou as Índias
Sozinho?
César venceu os gauleses.
Nem sequer tinha um cozinheiro ao seu serviço?
Quando a sua armada se afundou Filipe de Espanha
Chorou. E ninguém mais?
Frederico II ganhou a guerra dos sete anos
Quem mais a ganhou?

Em cada página uma vitória.
Quem cozinhava os festins?
Em cada década um grande homem.
Quem pagava as despesas?

Tantas histórias
Quantas perguntas


Bertolt Brecht

sábado, 23 de abril de 2011

Hoje é Sábado! Dia de Bate Papo!



Entrevista com Alexandre Palmar

1 – Como surgiu o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular em Foz do Iguaçu?
O Centro de Direitos Humanos foi fundado em 20 de maio de 1990. Viveu momentos de grande movimentação e depois, nos últimos anos, estava parado. Pessoas identificadas com a causa reiniciaram as atividades em março do ano passado. E em 12 de julho de 2010, a entidade foi reorganizada oficialmente, ampliando sua área de atuação para memória popular. Hoje, temos o Centro de Direitos Humanos e Memória Popular, uma instituição que busca atuar em conjunto com diferentes organizações na busca por uma sociedade mais justa, democrática e igualitária.

2 – Como o CDH é organizado em Foz do Iguaçu?
O CDHMP realiza reuniões ordinárias uma vez por mês. Essas reuniões são dividas em blocos. Num primeiro momento há um espaço aberto as organizações de trabalhadores, movimentos sociais, entre outras forças. Nessa hora ocorre um diálogo e intercâmbio de idéias, informações e ações.
Num outro bloco, são feitas as análises de problemas sociais por setores e traçadas as ações de rua, na imprensa, no campo institucional, e, principalmente, na defesa dos direitos coletivos da população.
Agora, em abril, colocaremos em prática a realização de uma reunião extraordinária mensal temática. Nela os grupos de trabalhos apresentarão o resultado de seus estudos e propostas. Os grupos de trabalho são criados por setores (saúde, comunicação, meio ambiente, cultura, etc). Cabe aos seus membros, apresentar estudos e propostas de suas áreas de militância.
Essa estrutura é pensada pela diretoria em conjunto com os membros efetivos do CDHMP. Ao conjunto cabe entender aos anseios coletivos da população, em especial de quem não consegue voz em mecanismos convencionais. Cabe a esse conjunto ser disciplinado, mas não burocrático, visando criar um ambiente dinâmico, organizado, plural e, sobretudo, produtivo de idéias e ação.

3 – Quais as atividades o CDH realiza?
Vou abusar da liberdade da net e divulgar um resumo das principais ações que publicamos no último jornal, o Manifesto.

Debate sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos, com a presença de Ivan Seixas, presidente do Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Humano/São Paulo e diretor do Fórum de Ex-Presos Políticos do Estado de São Paulo. Dia 30 de abril de 2010, na Unioeste.

Palestra Padre Renzo, padre sinônimo de resistência e solidariedade nos anos de chumbo. Religioso compartilha histórias vividas na ditadura militar em evento que marca os 31 anos da anistia, promulgada em 28 de agosto de 1979. Dia 25 de agosto, na Faculdade UDC.

Curso “Como Funciona a Sociedade I”, promovido pelo Núcleo de Educação Popular 13 de Maio – Escola Nacional Florestan Fernandes. Dias 9 e 10 de outubro.

O manifesto em memória a quatro jovens executados a tiros, em casa, na Chacina do Porto Belo, por um bando encapuzado, em 5 de outubro de 2006. Ato tem debate, teatro e hip hop em memória aos adolescentes. Dia 7 de outubro, no Colégio Estadual Carmelita de Souza.

Comunicado público alusivo a Declaração Universal dos Direitos Humanos denuncia as constantes violações dos direitos fundamentais e da dignidade da pessoa humana. Dia 10 de dezembro de 2010.
Exibição do documentário “Elas da Favela”, que resgata incursão das tropas policiais do Estado do Rio de Janeiro, ocorrida em 27 de junho de 2007. A operação teve como saldo 19 mortos e o pânico levado à comunidade. Dia 10 de dezembro de 2010, na APP-Sindicato.

Denuncia pública sobre os problemas no conjunto habitacional Lagoa Dourada. Moradores reclamam de falta de infra-estrutura e de promessas não cumpridas pela administração pública municipal. Dia 13 de janeiro.

Caminhada pela reestruturação total no sistema de transporte coletivo, revendo desde as licitações, à acessibilidade, valor da passagem, idoneidade fiscal da empresa concessionária, respeito aos motoristas e cobradores, o fim da passagem diferenciada, entre outros pontos. Dia 3 de fevereiro, no centro.

Petição à Promotoria de Defesa do Consumidor sobre o sistema de transporte. O documento reivindica a instauração de inquérito civil público, bem como propõe uma ação civil pública. Dia 21 de fevereiro.

4 – Quais os principais problemas identificados pelo CDH naquilo que se refere à violação dos direitos humanos e Foz do Iguaçu?
Defendemos uma visão ampla dos direitos humanos; contrariamos a visão deturpada de uma luta por direitos humanos ligada apenas à questão da violência física. É impossível dissociar os direitos humanos da defesa pela vida, mas também do direito à saúde, ao trabalho, moradia, transporte, educação, comunicação, entre tantas outras condições básicas. Em Foz do Iguaçu, os problemas sociais atingem todas as áreas, em alguns se notam pequenos avanços, midiáticos, mas na maioria deles o caos impera.
Queremos combater todos esses problemas. Não queremos algo meia boca, mas sim uma democracia plena, queremos a transformação da sociedade. São inúmeros os documentos que norteiam e detalham esses direitos, como a Declaração Universal de Direitos Humanos, a nossa Constituição, o Estatuto da Criança e do Adolescente.....
Enfim... o nosso horizonte é quase utópico, mas dosamos nossos passos conforme aumenta nossa força. Quase um ano atrás, era possível contar nos dedos o número de pessoas dispostas a dedicar uns minutos das suas vidas para engrossar as ações do CDHPM na cidade. Não porque elas não existiam. Elas estão em vários lugares. Mas devido ao período inativo o CDH havia perdido a referência. Aos poucos foi aumentando o número de pessoas engajadas na luta pelos direitos coletivos. Hoje já são dezenas de militantes, que juntos formularam um ousado calendário de lutas para 2011 (ver no blog do CDHMP).

5 – Há alguns anos atrás você escreveu um texto denunciando a responsabilidade da Polícia Militar em um número significativo de homicídios que tinha ocorrido na cidade nos primeiros anos do Século XIX. Comparando com aquela realidade, o que mudou nos últimos anos?
Fiz a reportagem pela Folha de Londrina, publicada em 29 de setembro de 2003 (disponível na net). A Secretaria de Estado de Segurança Pública, o comando do 14º Batalhão da Polícia Militar e o Ministério Público prometeram ações para punir os responsáveis pelos assassinatos mascarados nos boletins de ocorrência como mortes entre confrontos entre polícia e resistência à prisão, além de mudar o modus operandi dos PMs. Alguns meses depois, o jornal fechou a sucursal na cidade, assim como já tinha fechado em outras cidades do interior (crise empresarial) e o estudo deixou de ser atualizado.
Em 2003, o estudo demonstrou que a PM estava matando (em 2001, em 2002 e em 2003). Hoje é preciso atualizar a pesquisa para efeito de real comparação. Mas de antemão, como leitor, ouvinte e telespectador diário da mídia iguaçuense, posso garantir: a freqüência de notícias de “mortes em confrontos” continua na mesma proporção, talvez até maior. Em 2003, foram essas “notícias” que me levaram a investigar os casos de 2001, 2002 e 2003.

6 – Você tem intenção em atualizar aquele estudo?
Em 2003, eu tinha melhores condições para tocar tal reportagem, que levou, salvo engano, uns três a quatros meses. O jornal me deu essa estrutura (trabalhar para este fim durante um tempo). Hoje precisamos de alternativas para atualizar o estudo em virtude das dificuldades de tempo e econômicas de todos nós. Vejo no CDHMP, no Fronteira Zero e no Megafone uma combinação perfeita para formar um grupo com tesão, didática e disciplina para encarar o trabalho. Aliás, há tempos queria levar esse convite para vocês. Vamos?

7 – Como você analisa o envolvimento da sociedade civil organizada de Foz do Iguaçu com os problemas locais enfrentados?
“Sociedade civil organizada” me assusta, é uma expressão grandiosa por demais, ao mesmo tempo que pode significar nada. É nítido, entretanto, que há uma grande movimentação das pessoas em grandes ou pequenos grupos, talvez não mais apenas em modelos convencionais de organização. Identificamos movimentações espalhadas por toda a cidade, movimentos estes impulsionados por naturezas diversas – ora legítimos, ora oportunistas, ora efêmeros.
Mas temos muitas, mas muitas mesmo, pessoas fazendo algo para enfrentar os problemas sociais ou dizer que estão enfrentando. Associações, sindicatos, ONGs, clubes, igrejas, partidos, conselhos municipais, uma variedade sem fim, todos, num determinado momento, ora estão juntas (vide as milhões de logos embaixo assinando um evento), ora estão dispersas.
Essa caminhada depende dos interesses e de quando eles convergem. A maioria delas jamais andará junta porque são de naturezas distintas. Existem movimentos que preferem ações, ainda que embrionárias, mas reais e concretas (o que é justo no caso para manter a coerência), bem como existem movimentos que visam trabalhar uma possível unidade permanente em bandeiras macros.
Por outro lado, identificamos um grande problema presente na tal sociedade. Grande parte dessas ações (muitas delas com apoio de recursos públicos) acabam levando lugar nenhum. São feitas, propositalmente, mais para ganhar mídia e votos do que para transformar algo. Em outra linha, tudo parece um espetáculo, é tudo tão inovador, tão pioneiro, tão “primeira edição” do mundo ou melhor do mundo que indago porque tal problema ainda persiste. Outras tantas erram na análise porque tem vício de origem de pensamento. Como consertar aquilo que não muda por razões naturais ou reformismo dentro do capitalismo?

8 – Qual a importância dos partidos políticos na organização da sociedade civil?
Bem, na essência, os partidos políticos são o ambiente adequado para dar um norte, deveriam ser o espaço para debates profundos que resultem nas transformações sonhadas por quem se identifica naquela determinada bandeira. Agora, a maioria dos partidos deixou há tempos de representar um pensamento real e concreto, são amorfos, carecem de legitimidade, alguns até parecem mais com empresas (fazem filiações em massa enquanto pedem currículos dos militantes na hora de preencher cargos públicos).
Pior, fazem questão de confundir, são incoerentes e contraditórios, ora direita, ora centro, ora esquerda, tudo propositalmente, tudo por oportunismo eleitoral. Tem partido cuja única bandeira é diminuir impostos, outro que defende a elite, outro, os pensamentos conservadores. Isso é fácil identificar. Mais ardiloso ainda são partidos ditos de trabalhadores que levantam uma bandeira de classe, enquanto fecham negócios escusos com multinacionais que exploram os trabalhadores.
No campo dos trabalhadores, um partido deve ter como papel básico contribuir para a elevação da consciência de classe dos trabalhadores, agindo na organização das lutas e na propaganda socialista em contraponto ao modelo de sociedade capitalista. Um partido de trabalhadores deve superar os marcos dos interesses puramente imediatos, economicistas, corporativos, para o nível da visão global da realidade.

9 – Como o CDHMP avalia a luta estabelecida na cidade contra a licitação do transporte público?
A primeira edição do nosso jornal, o Manifesto, foi voltado só para esclarecer a população sobre o tema. Foram quatro páginas que trouxeram um histórico do setor; as licitações viciadas, os eternos problemas, as eternas promessas, os constantes conchavos entre poder público e empresários, bem como as reclamações dos usuários. A segunda edição voltou a tratar do assunto. O CDHMP também organizou uma caminhada, como dito antes.
No campo jurídico, o advogado Olirio Rives dos Santos apresentou à Promotoria de Defesa do Consumidor petição sobre o sistema de transporte coletivo de Foz do Iguaçu.  O documento pede ao Ministério Público a instauração de inquérito civil público, bem como propõe uma ação civil pública. Recentemente na audiência pública na Câmara Municipal, convocada após pressão popular, os membros do CDHMP, Danilo Georges e Jurandir de Moura, ocuparam a tribuna para denunciar todos esses problemas, a inércia do poder público e o descaso com a população.  Como se vê, a luta é constante.
Apesar da pressão, de parte da mídia fazendo matérias criticas e contextualizadas, das manifestações populares, dos protestos dos usuários e paralisação de trabalhadores do setor, percebemos que a prefeitura continua com a mesma visão míope de implantar a lógica privada, a lógica do lucro, num serviço público, numa concessão pública. A prefeitura parece que não vai recuar desse modelo: já entregou a exploração do serviço para iniciativa sem levar em conta a necessidade de mudar a lógica no setor. Agora ela promete discutir com a população a implantação do novo modelo.
Mas antes de discutir linhas urbanas coletivas, umas perguntas: Por que não criam uma empresa pública? Por que não conseguimos suspender a renovação de concessões? Bandeiras difíceis que devem ser levantadas simultaneamente a defesa de transporte gratuito para idosos, estudantes e desempregados; a defesa de um Conselho Popular de Transporte para substituir esse conselho que existe só no papel. Também devemos pressionar a revisão de contratos e a fiscalização sobre as empresas privadas.
São essas bandeiras que estamos levando para os bairros e que também pretendemos levar as reuniões setoriais que a prefeitura prometeu organizar. É preciso propagar essa mensagem e indagações porque, num determinado momento, parecia que os usuários queriam apenas o retorno do sistema antigo, das linhas antigas. É preciso fomentar entre todos que esse sistema é viciado, que o seu retorno ou reagrupamento do antigo e novo não significa avanço de nada, que um serviço público deve atender e priorizar os usuários e não os empresários.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Agenda Cultural Alternativa



3º Noite do Rap
Apresentação dos Grupos:
A voz da Libertação [Iporã]
Disparo Verbal [Iporã]
Resgate Mc's [Iporã]
Versão Real [Iporã]
Dilema do Gueto [Pérola]
Mandamentos da Rua [Foz]
Aliados da Periferia [Foz]
Verso de Honra [Foz]
Ataque Sonoro [Foz]
Mano Zeu [Foz].
Discotecagem com o Dj Jamaika.
Exibição de vídeos
Roda de Break
Freestyle.
Data: 23 de abril (sábado)
Horário: 22:30 horas
Local: Casulo Rock Bar 
Entrada: R$: 5,00

 Feirinha da JK
Data: domingo
Local: Avenida JK, em frente à agência da Caixa Econômica Federal
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca

Feirinha da Praça
Data: sábados e domingos
Local: Avenida Rep. Argentina, em frente ao Teatro Barracão
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca.

Cine Cataratas Jl Shopping
Fúria Sobre Rodas (3D)
Gênero: Ação/Suspense
Classificação: 16 anos
Legenda: Legendado
Duração: 1h 45min.
Horários: Diariamente: 15:40h, 17:45h, 19:50h e 22:00h

Rango
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h47min
Horários: Sexta, Sábado, Domingo, Segunda e Terça: 15:00h e 17:20h / Quarta e Quinta: 15:00h, 17:20h, 19:30h e 21:50h

Esposa de Mentirinha
Gênero: Comédia Romântica
 Classificação: 12 Anos
 Legendado
 Duração: 1h57min
Horários: Diariamente: 16:00h, 19:00h e 21:30h

Atividade Paranormal: Tóquio
Classificação: 12 anos
Gênero: Suspenste/Terror
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 32min.
Horários: Diariamente: 15:30h, 17:30h, 19:30h e 21:40h.

Animais Unidos Jamais Serão Vencidos (3D)
Classificação: Livre
Gênero: Animação
Legenda: Dublado
Duração: 1h. 36min.
Horários: Diariamente: 17:00h e 19:00h.

Invasão do Mundo - Batalha de Los Angeles
Classificação: 12 anos
Gênero: Ficção
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 56min.
Horários: Diariamente: 16:00h, 18:30h e 21:20h.

Cine Boulevard
Pânico 4
Gênero: Suspense
Classificação: 16 anos
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 50min.
Horários: Segunda- quarta e quinta e sábado: 19:40 e 22:10 / Terça- sexta e domingo: 17:20, 19:40 e 22:10.

Eu Sou O Número 4
Gênero: Ação/Suspense
Classificação: 12 anos
Legenda: Legendado
Duração: 1h 45min.
Horários: segunda- quarta e quinta : 20:10 e 22:20 / Terça-sexta-sabado e domingo: 17:40, 20:10 e 22:20

VIPs
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Legenda: Nacional
Duração: 1h 38min.
Horários: Segunda, Quarta e Quinta: 20:00h e 22:00h / Terça, Sexta, Sábado e Domingo: 18:00h, 20:00h e 22:00h

Rio
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h 40min.
Horários: Segunda- quarta e quinta: 19:50 e 21:50 / Terça- sexta- sábado e domingo: 17:50, 19:50 e 21:50

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Os Adolescentes-Vítimas e os Abrigos de Proteção a Infância

            Nas últimas semanas o MFZ publicou alguns textos problematizando a violência na fronteira e os índices de homicídios existentes na região. Explicitou os assustadores números referentes às mortes de jovens em Foz do Iguaçu e comparou a realidade local com outras realidades fronteiriças. Para finalizar, apresentou algumas teses para o melhor entendimento da realidade social particular que caracteriza o universo marcado pelas confluências dos limites internacionais.

            Hoje a intenção é chamar a atenção para um fator que muitas vezes não é observado quando tratamos do referido problema de forma genérica, sem um grau maior de profundidade. Analisando a trajetória dos jovens vítimas de arma de fogo no município constata-se a quase ausência de crianças e adolescentes abrigadas ou ex-abrigadas nas casas de proteção a infância e, por outro lado, índices mais elevados de jovens com passagem pela polícia e pelo CIAADI.
           

            Os números apresentados na tabela possibilitam inúmeras reflexões e entre elas gostaríamos de destacar apenas duas. Primeiramente, o baixo número de adolescentes abrigados entre as vítimas demonstram não apenas o sucesso de instituições, como a Fundação Nosso Lar, mas de uma concepção diferenciada de família e de inclusão social. E, em um segundo momento, as variações dos índices de jovens com passagem no CIAADI e sem nenhuma passagem pode denunciar modificações no perfil da violência existente na região das três fronteiras.

            Apenas com um teor de reflexão, sem tentar tornar a abordagem científica ou sociológica, é interessante pensar que a relação entre estruturação familiar, processos de formação e institucionalização apresentam possibilidades diferenciadas. As questões sociais que atingem os núcleos familiares necessariamente não representam uma condenação à criança, isso deriva, em grande medida, da forma em que o processo de socialização tutelada ocorre. Para tanto, pensar os conceitos de juventude, família e inclusão social dentro de uma perspectiva crítica e ativa pode fazer diferença.

            Por fim, as variações nos índices de jovens vitimados sem passagem e com passagem pelo CIAADI alimentam inquietações impossíveis de serem respondidas aqui, mas que valem ser expressas. Deste modo, fica no ar a dúvida: 1) vítimas com trajetórias diferenciadas representam crimes diferenciados? 2) estas variações denunciam formas diferentes de abordagem à violência e formas de proteção ao menor mais particulares? Poucas perguntas, mas que exigem uma análise posterior.