sábado, 19 de março de 2011

Hoje é Sábado! Dia de Bate Papo!

Entrevista Douglas Elias Belchior

"A exclusão da população negra dos espaços educacionais acompanha a história do Brasil"

Por Otávio Nagoya
Caros Amigos
Em entrevista a Caros Amigos, o professor de história e integrante do conselho geral da UNEAfro Brasil fala sobre a exclusão da população negra e pobre no Brasil, os desafios da Educação Popular e a necessidade de transformações sociais.
Neste início de ano, a UNEAfro Brasil anunciou a abertura de 2 mil vagas para estudantes de baixa renda em sua rede de cursinhos pré-vestibulares, inseridos em 19 municípios no Estado de São Paulo. As matrículas para o primeiro semestre abriram no dia 26/02 e  seguem até dia 12 de Março.

Caros Amigos - Como surge a UNEafro-Brasil?
Surge do anseio de lideranças comunitárias e militantes sociais que já organizavam cursinhos comunitários e buscavam construir um movimento popular a partir dessa experiência com a educação popular. Cursinhos Comunitários ou Populares são, sem dúvida, um dos maiores movimentos sociais do Brasil. Em cada grande e média cidade, lá estão os cursinhos, frutos da autonomia e organização local. No entanto, não há articulação entre eles, menos ainda no sentido da luta política.
A UNEafro-Brasil nasce também com essa expectativa: articular os diversos cursinhos do país numa rede de articulação que possa construir luta popular através de um calendário unificado e ações políticas mais amplas. E está dando certo. Já somos 42 núcleos de base, sendo 39 cursinhos comunitários em 19 cidades do Estado de São Paulo, além de núcleos iniciantes em Salvador (BA), Duque de Caxias (RJ), Londrina (PR) e Porto Alegre (RS).


Caros Amigos – E quais são as reivindicações do movimento?
São a luta contra o racismo estrutural brasileiro em todas as suas vertentes e dimensões e da defesa dos direitos humanos e constitucionais; responsabilização do Estado brasileiro pelas mazelas sofridas por negras/os e não negras/os pobres; defesa intransigente de políticas públicas de ação afirmativa, entre elas o sistema de cotas para negras/os nos diversos espaços sociais; defesa intransigente da educação pública, popular, gratuita e de qualidade, casada à defesa das Ações Afirmativas e Cotas para a população negra em universidades; exigência de aumentos substanciais nos investimentos para a Educação (mínimo de 10% do PIB), desde o ensino fundamental, até a ampliação das vagas em universidades públicas; por uma mudança na forma de acesso à Universidade e pelo fim do atual modelo de vestibular; pela valorização do profissional da educação e por uma política pedagógica voltada para a realidade das comunidades.


Caros Amigos - Na avaliação da UNEafro-Brasil qual é a atual condição educacional da população negra no País?
A exclusão da população negra dos espaços educacionais é um fato que acompanha toda a história do Brasil. Negros(as) ainda escravizados(as), quando da organização das escolas públicas tiveram seu acesso negado. Depois da abolição, apesar da teórica igualdade de direitos, as condições sociais a que os negros(as) foram colocados, somada ao alto nível de preconceito e racismo, limaram a presença negra das escolas e universidades.
Hoje, o resultado é fruto dessa história e do descaso habitual e propositado dos governantes brasileiros. Em 2010, o IBGE revelou que há duas vezes mais brancos alfabetizados e três vezes mais com o ensino médio completo. A desigualdade fica ainda mais explícita quando percebemos que os brasileiros(as) que se classificam como pretos(as) e pardos(as) já são mais da metade da população (51,1%).
O número de estudantes brancos no ensino superior é mais que o dobro do de negros. Já nos níveis mais básicos de educação, a proporção de  analfabetos nas populações negras e pardas é de cerda de 13,5%, enquanto a proporção de brancos analfabetos é de 5,9%.
Esse mesmo estudo revelou que Negros com 12 anos ou mais de escolaridade também têm menor proporção de rendimento por hora do que brancos com o mesmo grau de instrução. Mesmo com mais anos de estudo, os negros ganham somente 69,8% do rendimento dos brancos.
Isso demonstra o quanto precisamos caminhar no sentido da equidade entre negros(as) e brancos(as) no Brasil. Ações afirmativas e focadas na população negra tais como cotas em todos os espaços sociais, desde universidades e mídias até no mercado de trabalho e concursos públicos, aliada ao aumento real de investimentos em educação (mínimo de 10% do PIB), são ações que o movimento negro brasileiro reivindica há anos.


Caros Amigos - Qual é a importância da educação no processo de transformação dos jovens de baixa renda?
A UNEafro-Brasil acredita e se propõe a praticar uma educação popular e libertadora. Claro que isso falado e escrito é bem mais fácil que a sua prática. Mas, esse é um desafio que aceitamos. Os estudantes negros, brancos pobres, filhos da classe trabalhadora chegam aos nossos cursinhos em busca de uma “educação propagandeada”, aquela que serve para a disputa de um lugar no mercado de trabalho.
Essa é a necessidade concreta dos pobres que vêem na educação seu passaporte para ascensão social, para um melhor emprego e salário. Em princípio não podemos frustrar essa expectativa, por isso trabalhamos com as disciplinas da grade regular e buscar dar qualidade ao “serviço” oferecido.
No entanto, paralelo a isso, a partir da convivência em nossos espaços, buscamos construir um diálogo sobre a realidade brasileira e sobre o conjunto de opressões que nos sufocam, sempre com o intuito de provocar os estudantes e incitar uma leitura mais crítica da realidade e a vontade coletiva de se organizar e reagir.


Caros Amigos - Para a UNEafro, quais são os caminhos possíveis para alterar as condições educacionais da população pobre no Brasil?
Não é possível ficar esperando que os governos façam ou que o Estado faça as mudanças que o País e nosso povo tanto precisam. O Estado Brasileiro, construído para defender os interesses de grupos econômicos, clãs políticos e familiares, empresas nacionais e internacionais continua saudável e intocável. Se por um lado, ao dialogar com a realidade concreta e a necessidade imediata, precisamos estabelecer diálogo e pressão para que governantes garantam o mínimo para a sobrevivência da população, por outro, a organização popular nunca foi tão necessária para a construção de um poder capaz de alterar a atual correlação de forças.
O mundo está vivendo um momento interessante do ponto de vista de rebeliões populares. E a pauta que leva milhares de pessoas às ruas em vários países são exatamente as mesmas que afligem o povo brasileiro: melhores condições de vida; salário digno, moradia, saúde e educação. O papel dos movimentos populares é alimentar a esperança e continuar construindo, no dia a dia, o pensamento, a postura e o discurso contra hegemônico. Em algum momento a água da paciência e da inércia vai transbordar também no Brasil. E as organizações populares devem estar preparadas para isso.
Caros Amigos - Como são organizados e como funcionam os cursinhos populares da UNEafro-Brasil? Quais são os principais objetivos?
A UNEafro se organiza através de núcleos de Base. A maior parte desses núcleos, por sua vez, organiza Cursinhos Comunitários coordenados por grupos de até 10 militantes, que buscam na própria comunidade um espaço físico para as aulas e professores voluntários. Assim, após a construção coletiva de um planejamento de trabalho, oferecem preparação para provas do Enem, vestibulares no geral e concursos públicos.
Ancorada nos pensamentos de Paulo Freire, buscamos a prática da Educação Popular como uma teoria de conhecimento referenciada na realidade, com metodologias incentivadoras à participação das pessoas, permeadas por uma base política que estimula as transformações sociais e orientadas por anseios humanos de liberdade, justiça, igualdade e felicidade.


Caros Amigos - Além dos cursinhos, quais as outras atividades sociais promovidas pela UNEafro?
A UNEafro também é Ponto de Cultura e promove oficinas de Percussão, Dança Afro, Estética Negra, Capoeira. Além do trabalho voltado para a preparação para vestibulares, Enem e concursos, nossos núcleos desenvolvem também escolinhas de futebol e artes marciais. Organizamos grupos de estudo e preparação para Pós Graduação e Mestrado, além da organização das Aulas Públicas, que são aulas ao ar livre, em praças públicas e terminais de grande circulação, onde promovemos diálogo direto com a população, sempre com temática social.


Caros Amigos - O que tem programado para este ano?
Com o carnaval em março, nossos cursinhos começam mais tarde nesse ano de 2011. Nesse momento a rede está com 2 mil vagas abertas à comunidade. Esse é o momento também de convite à adesão de professores(as) voluntários(as) (Veja os contatos).
No dia 26 de Março acontece a 'Aula Pública Inaugural dos Cursinhos da UNEafro,' momento em que reuniremos todos os estudantes matriculados em nossa rede. Esta atividade está programada para acontecer na Cidade Universitária – USP Butantã e a UNEafro contará com o apoio de grupos de estudantes internos à Universidade.
Ainda em março nossos núcleos devem organizar diversas atividades temáticas da luta da Mulher, uma vez que em cada cidade nossos núcleos organizam ações a partir das demandas das comunidades onde atuam.
O Mês de Abril será um período de preparação do ato de 13 de Maio, que deve voltar a trabalhar com a questão da violência policial e do racismo institucional que tanto vitimiza especialmente a juventude negra. Aliás, essa será uma pauta que a UNEafro, ao lado de diversos outros movimentos tais como MNU e Tribunal Popular, vai encampar durante todo o ano, no sentido de denunciar e combater as ações do Estado penal brasileiro.
Junho é mês de organização de simulados e vestibulares de meio de ano, trabalho que toma muita energia. Julho é mês de Assembléia Geral, momento em que reunimos militantes de todos os núcleos para reflexão e debates sobre os rumos do movimento.
Portanto, agenda cheia nesse primeiro semestre de 2011.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Agenda Cultural Alternativa



Metal Destruction:
Funeral (Death Metal - Py)
Headbreaker (Heavy Metal - Py)
Mastermind (Thrash Metal - Py)
Local: Casulo Rock Bar
Data: 19/03/2011
Entrada: R$: 5,00
Hora: 23:00.
Informações: Robinho - 9927- 4166 / 8427- 0161



Debate com Renan Inquérito: “Um Brinde” – O Impacto do álcool na sociedade.
Local: Teatro Barracão (Praça da Bíblia) 
Entrada: Franca
Data: 19/03/2011
Hora: 17:00





Feirinha da JK
Data: domingo
Local: Avenida JK, em frente à agência da Caixa Econômica Federal
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca.

Feirinha da Praça
Data: sábados e domingos
Local: Avenida Rep. Argentina, em frente ao Teatro Barracão
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca.

Cine Cataratas Jl Shopping
Rango
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h47min
Horários: Sexta, Sábado, Domingo, Segunda e Terça: 15:00h e 17:20h / Quarta e Quinta: 15:00h, 17:20h, 19:30h e 21:50h

Justin Bieber: Never Say Never (3D)
Gênero:Musical
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h45min.
Horários: Diariamente: 19:10h (Dublado) / Diariamente: 21:40h (Legendado).

Gnomeu e Julieta (3D)
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h24min
Horários: Diariamente: 14:00h e 15:50h e 19:45h

O Discurso do Rei
Gênero: Drama
Classificação: 12 Anos
Legendado
Duração: 2h03min
Horários: Diariamente: 16:20h, 18:50h e 21:20h.

Esposa de Mentirinha
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: 12 Anos
Legenda: Legendado
Duração: 1h57min
Horários: Diariamente: 16:00h, 19:00h e 21:30h.

Animais Unidos Jamais Serão Vencidos (3D)
Gênero: Animação
Classificação:  Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h36min
Horários: Diariamente: 18:00h e 20:00h

Invasão do Mundo - Batalha de Los Angeles
Gênero: Ficção
Classificação: 12 anos
Legenda: Legendado
Duração: 1h56min.
Horários: Diariamente: 14:10h, 16:30h, 19:00h e 21:40h.

Cine Boulevard
 O Ritual
Classificação: 14 anos
Gênero: Suspense
Legenda: Legendado
Duração: 1h 54min.
Horários: Diariamente: 19:30h e 22:00h.

Bruna Surfistinha
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama
Legenda: Nacional
Duração: 1h 50min.
Horários: Diariamente: 17:40h, 20:00h e 22:30h

Passe Livre
Classificação: 14 anos
Gênero:
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 45min.
Horários: Diariamente: 17:20h, 19:30h e 21:50h.

Bravura Indômita
Classificação: 16 anos
Gênero: Faroeste
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 50min.
Horários: Diariamente: 17:30h, 19:50h e 22:15h.

Desconhecido
Classificação: 14 anos
Gênero: Suspense
Legenda: Legendado
Duração: 1h.53min.
Horários: Segunda a Sexta: 20:00h e 22:20h / Sábado e Domingo: 17:40h, 20:00h e 22:20h.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Debate: Um brinde

"UM BRINDE"


O projeto um brinde visa fomentar um debate amplo sobre o álcool, envolvendo segurança pública, saúde, educação, trabalho, cultura, violência doméstica e contra a mulher, acidentes de trânsito, produção de etanol, impacto ambiental, dependência química, economia, entre outros.


O debate se dará a partir da exibição do vídeo clipe da música “Um Brinde”, do grupo de rap paulista “Inquérito”. O vídeo produzido por Vrass77 com roteiro de Renan Inquérito foi gravado na região metropolitana de Campinas-SP. Para abrir o debate estará presente Renan, integrante do grupo Inquérito.


Durante os três minutos gastos para a exibição do videoclipe 14 pessoas morrem no mundo vítimas do álcool. O álcool está associado também a 30% dos casos de violência contra mulheres e 80% dos casos de violência doméstica, 50% dos acidentes de trânsito têm o produto como agente responsável. A substância está também relacionada com 25% dos casos de homicídio e 50% dos suicídios no Brasil. No último ano 416 pessoas morreram na indústria da cana de açúcar só em São Paulo. Na saúde, o Governo Federal investe por minuto R$ 390,00 no tratamento e recuperação dos dependentes.


É importante fomentar a discussão sobre essas problemáticas entre os jovens que são carentes de espaços de discussão. Abordando esse tema com uma linguagem mais apropriada e de identificação com a juventude e utilizando-se da ferramenta do audiovisual, o projeto torna-se mais atraente para esse público, o que além de um crescimento individual compõe um processo de crescimento coletivo.


Foz do Iguaçu é uma cidade conhecida nacionalmente por seus altos índices de violência entre os jovens. Resultados como estes apenas reforçam a necessidade de trabalharmos com esses jovens, promovendo ações como esta em estratégia de sensibilização e mobilização e estimulando a reflexão dos próprios jovens como protagonistas de sua própria história.


O evento ocorrerá no sábado, dia 19 de março a partir das 17:00hs, no Teatro Barracão (Praça da Bíblia, Av. República Argentina).


O evento conta com o apoio de: CDHMP (Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu), Sindicato dos Jornalistas, APP Sindicato, SITRO-FI (Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários), Gebing Transportes Ltda, Construtora Taquaruçu.






Clip da música "um brinde": http://www.youtube.com/watch?v=ZAaQlpwRgeo

quarta-feira, 16 de março de 2011

Parar de crescer não significa parar de se desenvolver

Marcus Eduardo de Oliveira*
Adital
Um dos pontos mais importantes discutidos nos meandros da economia ecológica diz respeito ao fato de que fazer a economia parar de crescer não significa, conseqüentemente, parar de se desenvolver. O que os economistas com uma visão mais apurada da questão ambiental desejam é justamente obter desenvolvimento. O que esses mesmos economistas tanto condenam é o crescimento conseguido sob as ruínas da degradação do capital natural. Assim, a economia ecológica não se coloca contra o desenvolvimento, mas sim contra as elevadas taxas de crescimento que inflam a economia à custa de piorar o meio ambiente, e, por conseguinte, a qualidade de vida.
Em termos de definição, crescimento é o aumento na produção, na parte física; em outras palavras é "mais quantidade”. Desenvolvimento, por sua vez, supera essa idéia e busca "mais qualidade”. Com tecnologia e inovação, é possível produzir a mesma quantidade de bens, porém de forma eficaz, com qualidade. A idéia fundamental então é a seguinte: produção deve servir para repor, e não para acumular. Hoje, vivenciamos o contrário. A preocupação primeira da economia tradicional é produzir para acumular.
Entender isso passa primeiramente pela necessidade de se ter em conta que o desenvolvimento não está ligado ao crescimento econômico. Trata-se de pura e cristalina ilusão achar que fazendo a economia crescer atinge-se, por conseqüência, o desenvolvimento. Logo, por essa perspectiva, o processo entendido como "desenvolvimento econômico” (qualidade) não só é desejável como é perfeitamente possível, ainda que não haja crescimento (mais quantidade) da economia.
A questão primordial nos parece ser essa: se continuarmos colocando a economia sob as bases do processo produtivo que responde apenas (e em nome) pelos (dos) ganhos do mercado de capitais, não se logrará sucesso algum, visto que esse mercado somente tem olhos para a "quantidade”. O que é necessário fazer e, isso não é tarefa fácil, é direcionar à produção para o atendimento exclusivo das necessidades humanas, que não necessariamente passam pela questão do "ter”. Para isso é imprescindível colocar a economia a serviço das pessoas, rompendo-se assim com a situação tradicional que tem vigorado por longo tempo que insiste em colocar as pessoas a serviço da economia.
Urge entender, definitivamente, uma premissa relativamente simplista: a economia, em larga medida, precisa fazer sua volta às origens que remontam aos tempos em que estava incubada nos aspectos da Filosofia Moral, quando os clássicos, na elaboração de seus primeiros "tratados”, orientavam à economia (atividade produtiva) para que as pessoas com isso atingissem o bem-estar comum, a felicidade plena.
Na esteira desse comentário, é de bom alvitre salientar que a felicidade, embora encontre morada em uma base conceitual de total subjetividade, nunca esteve ligada a posse de dinheiro. Dentro dessa perspectiva, não é o mercado então, como insistem alguns e como quer fazer prevalecer a economia tradicional, um lugar "sagrado” onde se encontra à venda uma mercadoria chamada "felicidade”. Felicidade não é (e nunca foi) uma mercadoria; logo, não tem preço!
Compreender isso, de certa forma, ajuda a romper com a lógica de que a economia deva ser vista meramente como uma ciência que dita e direciona os rumos apenas do mercado em seu bel-prazer, como se o mercado fosse unicamente responsável por gerar felicidade e bem-estar. Antes disso, é oportuno salientar que a economia - sendo uma disciplina pertencente ao campo das humanidades - deva estar preocupada exclusivamente com o bem-estar das pessoas, tomando a noção básica de que se trata de uma ciência feita pelas pessoas e para as pessoas. Por sinal, a economia nasceu para isso; para fazer as pessoas prosperarem no aspecto mais básico e elementar: atingir qualidade de vida.
Querer medir o desempenho (melhoria) de uma sociedade pelo que se pode (ou se deseja) comprar num shopping center é fazer da vida uma mera questão mercadológica, tipificando as coisas pelo sistema de preços. Definitivamente, a ciência econômica precisar superar essa visão antiga e prosperar sobre a afirmação de que depende totalmente das coisas da natureza, daí a necessidade suprema em se praticar a preservação e a sustentabilidade, para que com isso ocorra sua efetiva consolidação de ciência social que esteja a serviço de melhorar a vida das pessoas.

*Economista brasileiro, especialista em Política Internacional. Articulista do site “O Economista”, do Portal EcoDebate e da Agência Zwela de Notícias (Angola).

McDonald´s: A propaganda que encobre a exploração

Para fugir de uma multa milionária por não oferecer condições básicas de trabalho a seus funcionários, McDonald's firma acordo com o Ministério Público para financiar propaganda contra o trabalho infantil

Michelle Amaral
da Reportagem Brasil de Fato
Segundo o advogado do Sinthoresp, Rodrigo Rodrigues, a denúncia feita em 1995 referia-se “aos maus tratos que sofriam os funcionários do McDonald's devido às várias reclamações deles aqui no nosso sindicato”.
O advogado do Sinthoresp relata que o MPT chegou a realizar uma consulta pública com todos os envolvidos no caso. Após isso, ajuizou uma ação civil pública em março de 2007. Em 2008, houve a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que estipulava prazos para o cumprimento das adequações.
Ao comprovar que as exigências não estavam sendo cumpridas, o MPT ameaçou aplicar uma multa milionária à rede. Para fugir da punição, o McDonald's firmou esse novo acordo em outubro de 2010.
De acordo com a procuradora do trabalho Adélia Augusto Domingues, o MPT está em processo de tratativas com a rede de fast food para a implementação de todas as adequações necessárias. “O processo terá o acompanhamento do Ministério Público do Trabalho em todas as etapas, até que as adequações sejam completamente realizadas”, afirma Domingues.
A procuradora acredita que o acordo firmado com a rede beneficiará os funcionários. “Esses ajustes são positivos e importantíssimos para os empregados da empresa, que na maioria são adolescentes que requerem, sem dúvida, cuidados especiais, em razão de encontrarem-se na fase do processo de desenvolvimento físico, mental e social”, defende.
A reportagem procurou o McDonald's que, através de sua assessoria de imprensa, encaminhou um comunicado no qual afirma que os termos do acordo se alinham com a cultura da empresa de respeitar as leis do país e contribuir ativamente nas comunidades onde atua. “Acreditamos também que campanhas educativas e a doação do equipamento médico, como consta do acordo, poderão beneficiar a sociedade como um todo”, diz o informe.
 A rede
De acordo com dados do site do McDonald's, no ano de 2009 a rede estava presente em 118 países e possuía 31 mil lojas onde trabalhavam 1,6 milhão de funcionários. A sede mundial da McDonald's Corporation fica nos Estados Unidos e, nos demais países do mundo, a rede opera por meio de franquias.
O McDonald's chegou ao Brasil em 1979 e, desde 2007, a Arcos Dourados é a franqueadora do McDonald's no país e na América Latina. A Arcos Dourados tem como sócios os fundos Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o DLJ South America Partners, fundo ligado ao Credit Suisse, e o Capital International, do The Capital Group Companies. O lucro da rede de fast foods no Brasil em 2009, conforme informações do site, foi de R$ 3,45 bilhões. Já em 2010, em todo o mundo, o McDonald´s obteve lucro de 4,95 bilhões de dólares.
Franquia: é um sistema comercial em que o detentor de uma marca cede a uma outra empresa o direito de uso de sua marca ou patente, infra-estrutura e direito de distribuição de produtos e serviços.


terça-feira, 15 de março de 2011

Salve a Patifaria!

            O feriado de carnaval é provocante. Sensualidade, suor e sexo. Diversão, música e cerveja, alguns dias sem trabalho e muita preguiça no ar. Santa ociosidade e indiferença. Vivenciar o carnaval é um estágio antropológico para qualquer observador. No entanto, tirando toda a bizarrice, a animação e a sacanagem existente, ele configura-se como um período onde ocorrem coisas importantes e que merecem atenção cuidadosa. Na verdade, muitas coisas. Assim, este texto tem como objetivo apontar algumas delas
            Em Foz do Iguaçu observam-se quatro aspectos não excludentes. O primeiro deles, o mais óbvio, refere-se ao escasso apoio do poder municipal para a festividade. As escolas de samba, devido ao incipiente estágio de desenvolvimento, possuem poucas condições de organização e manutenção estrutural. Carnaval não se faz em meses, mas em anos. Sem o apoio público o processo de construção de algo autêntico é muito mais lento. Neste sentido, surge a primeira pergunta: é do interesse governamental que o carnaval surja como um novo atrativo para a região?
      Falando em autenticidade, a segunda questão levantada diz respeito à tradição. Historicamente o carnaval está vinculado às relações de sociabilidade existentes nas comunidades de baixa renda. Ele nasce das festas, da malandragem e do gingado do povo pobre, que rebola na busca da sobrevivência. Assim, a festa, o enredo e as máscaras nascem do ventre de relações comunitárias, é isso que lhe garante a originalidade e é isso que garante a sua existência. Segunda questão: a experiência carnavalesca existente no município é autentica e amarrada à identidade local?
             Partindo das duas primeiras observações nasce uma terceira. A inexistência de apoio governamental ou o baixo interesse da prefeitura e a suposta raiz comunitária do carnaval deveria abrir espaço para o desenvolvimento de organizações independentes. Logo, seria natural que as próprias agremiações organizassem seus bailes e ensaios nos seus bairros de origem, fortalecendo o nascimento de algo original e alicerçado nos processos de construção das identidades. Todavia, isso está longe de ocorrer de forma plena. Há poucas exceções, como o caso do Morumbi. Surge a terceira questão: se existe alguma autenticidade no movimento carnavalesco de Foz do Iguaçu onde está sua capacidade de organização independente e autentica?
       Os três primeiros pontos levantados não apresentam de maneira explícita a quarta questão, mas esta se faz presente de modo inevitável. Como um elo, o processo de mercantilização do carnaval se prende a essência dos problemas anteriormente apontados e se coloca de maneira central na sua análise. Como ocorre em outras situações, algumas delas já discutiras pelo Fronteira Zero, existem pouco interesse dos órgãos públicos e privados de Foz do Iguaçu em investir em algo que não seja imediatamente lucrativo. Assim, pergunta-se: é necessário o carnaval ser rentável para obter algum apoio no município?
         O fato de o carnaval ser uma suposta representação popular e uma suposta manifestação cultural da cidade, contribuindo com os processos societários das comunidades mais periféricas da cidade não são suficientes para uma melhor consideração do evento? É preciso que ele se torne algo artificial e um grande outdoor, chamando atenção de consumidores e turistas, para a festa ganhar alguma importância? O que a sociedade iguaçuense espera do carnaval local e o que os empresários desejam?
       As dúvidas colocadas visam unicamente uma reflexão sobre o gasto de nossas energias e sobre aquilo que ofertamos para moradores e visitantes. Não acreditamos que originalidade, autenticidade e profissionalismo sejam variáveis excludentes, apenas problematizamos as representações e as expectativas em relação à festa popular no município. O que somos? O que queremos? E o que podemos fazer? Perguntas chaves para a organização de algo democrático e que represente interesses múltiplos. 


sexta-feira, 11 de março de 2011

Agenda Cultural Alternativa




Punk Fest:
Os Anônimos – Rock n´Roll (Santa Helena)
Anti Sociais – Punk Rock (Santa Helena)
Moloko – Punk Rock (Paraguay)
Local: Casulo Rock Bar
Data: 12/03/2011
Entrada: R$: 5,00
Hora: 23:30.
Informações: Robinho - 9927- 4166 / 8427- 0161

Feirinha da JK
Data: domingo
Local: Avenida JK, em frente à agência da Caixa Econômica Federal
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca.

Feirinha da Praça
Data: sábados e domingos
Local: Avenida Rep. Argentina, em frente ao Teatro Barracão
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca.

Cine Cataratas Jl Shopping
O Besouro Verde (3D)
Classificação: 12 Anos
Gênero: Ação/Comédia
Legenda: Legendado/dublado
Duração: 1h59min.
Horários: Diariamente: 14:20h e 16:40h (Dublado) / Diariamente: 19:10h e 21:40h (Legendado)

Rango
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h47min
Horários: Sexta, Sábado, Domingo, Segunda e Terça: 15:00h e 17:20h / Quarta e Quinta: 15:00h, 17:20h, 19:30h e 21:50h

Justin Bieber: Never Say Never (3D)
Gênero:Musical
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h45min.
Horários: Diariamente: 19:10h (Dublado) / Diariamente: 21:40h (Legendado).

Gnomeu e Julieta (3D)
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h24min
Horários: Diariamente: 14:00h e 15:50h e 19:45h

O Discurso do Rei
Gênero: Drama
Classificação: 12 Anos
Legendado
Duração: 2h03min
Horários: Diariamente: 16:20h, 18:50h e 21:20h

Esposa de Mentirinha
Gênero: Comédia Romântica
 Classificação: 12 Anos
 Legendado
 Duração: 1h57min
Horários: Diariamente: 16:00h, 19:00h e 21:30h

 Cine Boulevard

As viagens de Gulliver

Classificação: Livre
Gênero:Aventura/Comédia
Legenda:Dublado
Duração:1h31
Horários: Diariamente: 20:10h e 22:10h

Bruna Surfistinha
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama
Legenda: Nacional
Duração: 1h 50min.
Horários: Diariamente: 17:40h, 20:00h e 22:30h

O Ritual
Classificação: 14 anos
Gênero: Suspense
Legenda: Legendado
Duração: 1h 54min.
Horários: Diariamente: 19:30h e 22:00h

127 Horas
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama/Aventura
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 40min.
Horários: Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo: 19:40h

Passe Livre
Classificação: 14 anos
Gênero:
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 45min.
Horários: Diariamente: 17:20h, 19:30h e 21:50h.

Bravura Indômita
Classificação: 16 anos
Gênero: Faroeste
Legenda: Legendado
Duração: 1h. 50min.
Horários: Diariamente: 17:30h, 19:50h e 22:15h.