segunda-feira, 23 de maio de 2011

Milhares tomam as ruas na Espanha por uma nova política


Da redação
Caros Amigos

Milhares de pessoas tomaram as ruas em Madrid, Espanha, reivindicando mudanças políticas no país num movimento chamado 15-M ou a “revolução espanhola”.  No dia 15 maio, a manifestação começou na praça Puerta de Sol, centro de Madrid, ante a perspectiva de se realizarem eleições locais na Espanha neste domingo, 22. Os manifestantes reivindicam “uma sociedade nova que de prioridade à vida acima dos interesses econômicos e políticos” e afirmam não estarem ligados a nenhum partido ou organização. 

Segundo informações do jornal mexicano La Jornada, a manifestação começou com um chamado na internet e redes sociais em repúdio a corrupção e a falta de oportunidades no país. O protesto aumentou rapidamente e está sendo seguido em outras cidades espanholas, como Valência, Barcelona, Valladolid, Segovia, entre outras. Com mais e mais pessoas aderindo aos protestos, os manifestantes estão organizando comissões por setores, como saúde, alimentação, etc.
O movimento não deliberou a posição nas eleições e fala-se em voto nulo. Os partidos mais fortes na Espanha são o de centro-esquerda PSOE (Partido Socialista Obrero Espanhol) - do atual presidente Jose Luiz Rodriguez Zapatero, que tem agido em acordo com a União Européia, gerando insatisfação - e, de outro lado, o partido de direita PP (Partido Popular). 

Leia abaixo manifesto do M-15:

Quem somos? 

Somos pessoas que vieram livre e voluntariamente, que depois da manifestação decidimos nos reunir para seguir reivindicando a dignidade e a consciência política e social. Não representamos nenhum partido ou associação. 

Nos une uma vontade de mudança. Estamos aqui por dignidade e por solidariedade com os que aqui no podem estar. Porque estamos aqui? 

Estamos aqui porque queremos uma sociedade nova que de prioridade à vida acima dos interesses econômicos e políticos. Reivindicamos uma mudança na sociedade e na consciência social. Demonstrar que a sociedade não dormiu e que seguiremos lutando pelo que merecemos pela via pacífica. Apoiamos os companheiros que foram detidos na manifestação e pedimos que sejam colocados em liberdade. 

Queremos tudo, queremos agora, se concorda com a gente: Una-se.



sexta-feira, 20 de maio de 2011

Agenda Cultural Alternativa

Tributo ao Sabotage
Exibição do Documentário do Maestro do Canão, Show de Rap com grupos de Foz, Djs discotecando sons do Sabota e sorteio de brindes.
Data: 21/05/2011
Horário: 21:30 min
Local:  Bar da Dona Val, Rua Eloi Armando Nedel, Cidade Nova 2


Cultura y Arte entre Café e Mate – Encuentro de la diversidad artística argentina y brasileña.
Café e mate provavelmente não formem uma mistura tão agradável ao paladar comum. Mas, do ponto de vista artístico, a união das duas bebidas pode simbolizar aromas, sotaques e sabores que refletem a riqueza e a variedade cultural da região das Três Fronteiras.
O encontro é promovido pela Casa do Teatro e a Agrupación Jóvenes Iguazú de Puerto Iguazú, associações sediadas em Foz do Iguaçu e em Puerto Iguazú, respectivamente. A entidade brasileira desenvolve o “Café com Teatro”, enquanto que a argentina realiza a “Tarde Mate e Música”, ambos voltados para a circulação artística,  em cada lado da fronteira. A ideia é somar as experiências realizadas nas duas cidades em um espaço cultural binacional.
Música; 
Teatro;
Dança;
 Literatura;
Artes visuais;
Artesanato;
Títeres;
Observação de astros serão oferecidas. 

Data: 22/05/2011
Horário: 16:00
Local: Plazoleta de la Identidad, Puerto Iguazú, Argentina (esquina das avenidas Victoria Aguirre e Tres Fronteras, caminho para o Marco das Três Fronteiras, Centro da Cidade).
Entrada gratuita. 

Feirinha da JK
Data: domingo
Local: Avenida JK, em frente à agência da Caixa Econômica Federal
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca

Feirinha da Praça
Data: sábados e domingos
Local: Avenida Rep. Argentina, em frente ao Teatro Barracão
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca.

Cine Cataratas Jl Shopping

Como Você Sabe?
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: 10 anos
Legenda: Legendado
Duração: 2h.00min
Horários: Diariamente: 21:20h

RIO
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h40min
Horários: Diariamente: 16:00h, 17:50h, 19:40h e 21:30h

Padre
Gênero: Ação/Terror
Classificação: 14 Anos
Legendado
Duração: 1h28min
Horários: Diariamente: 16:00h, 17:50h, 19:40h e 21:30h

Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas (3D)
Gênero: Ação/Aventura
Classificação: 12 anos
Legenda: Legendado
Duração: 2h19min.
Horários: Quarta, Sábado e Domingo: 13:20h, 16:05, 18:50h e 21:35h / Segunda, Terça, Quinta e Sexta: 15:00h, 17:45h e 20:30h.

Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio
Gênero: Ação
Classificação: 14 anos
Legenda: Legendado
Duração: 2h14min.
Horários: Quarta, Sábado e Domingo: 13:40h, 16:20h, 19:10 e 21:50h / Segunda, Terça, Quinta e Sexta: 16:20h, 19:10h e 21:50h


Cine Boulevard

Água Para Elefantes
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Legenda: Legendado
Duração: 2h1min.
Horários: Diariamente: 21:50h

THOR
Gênero: Ação/Aventura/Drama
Classificação: 10 anos
Legenda: Dublado
Duração: 1h56min.
Horários: Diariamente: 19:20h

O Noivo da Minha Melhor Amiga
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: 12 Anos
Legenda: Legendado
Duração: 1h52min.
Horários: Diariamente: 19:50h e 22:10h

Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio
Gênero: Ação
Classificação: 14 anos
Legenda: Legendado
Duração: 2h14min.
Horários: Diariamente: 17:00h, 19:40h e 22:20h

Piratas do Caribe - Navegando em Águas Misteriosas (3D)
Gênero: Ação/Aventura
Classificação: 12 anos
Legenda: Legendado
Duração: 2h19min.
Horários: Diariamente: 16:20h, 19:10h e 22:00h

RIO
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h40min
Horários: Diariamente: 17:30h.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Responsabilidade Social nas organizações e algumas poucas contradições


Hoje o movimento Fronteira Zero traz uma discussão sobre um tema bastante curioso e de certa forma contraditório, a conhecida “responsabilidade social” ao qual “voluntariamente” grandes e médias empresas, com ações negociáveis na bolsa de valores, ou não, vêm adotando.

Incentivados pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), várias organizações comerciais e públicas aceitaram e aceitam demonstrar a “responsabilidade social” praticada por meio de um relatório denominado Balanço Social. Existem alguns modelos diferentes de Balanços Sociais criados por outros institutos, entretanto, devido ao prestigio e o pioneirismo, a maior parte das empresas utilizam o relatório proposto pelo Ibase. 

O Balanço Social do Ibase busca propiciar a sociedade uma forma de controle social dos atos praticados pelas organizações e é apresentado por categorias. Essa divisão auxilia o usuário da informação na compreensão do documento, ao todo são sete, e destacaremos neste texto quatro delas as quais julgamos as mais relevantes:

1 - Indicadores sociais internos – demonstra os investimentos que a organização realizou, obrigatórios e voluntários aplicados ao corpo funcional (alimentação, previdência privada, educação, entre outros);

2 - Indicadores sociais externos  - demonstra os investimentos voluntários da empresa em relação à sociedade em geral (projetos e iniciativas nas áreas de educação, cultura, saúde, combate à fome, entre outros);

3 - Indicadores ambientais -  demonstra os investimentos ao qual visa compensar os impactos ambientais causados pela empresa, bem como melhorar a qualidade ambiental da produção/operação;

4 - Indicadores do corpo funcional – demonstra as formas de relacionamento da empresa com seu publico interno, ou seja, criação de postos de trabalho, terceirização, número de estagiários, valorização da diversidade (negros, mulheres, deficientes e idosos), e participação de grupos historicamente discriminados no país em cargos de chefia e gerenciamento da empresa (mulheres e negros).
            Analisando os itens que compõem o demonstrativo, observa-se que o mesmo não é uma demonstração contábil tão interessante para as empresas apresentarem para a sociedade, afinal na posse destes dados é possível fazer uma análise criteriosa dos chamados “benefícios” que as organizações trazem para a sociedade e perceber que esses investimentos são medíocres.

Neste sentido, o Balanço Social configura-se como uma ferramenta importante num contexto capitalista, apesar das leis brasileiras não impor a obrigatoriedade desta demonstração. Por outro lado, para as empresas que aderem à idéia, o Balanço Social é uma forma “convincente“ de mostrar para a sociedade sua generosidade com os aspectos sociais.

Mas será que não existe nem outro motivo que levam as empresas se apresentarem como “responsáveis“, mesmo que a realidade prove o contrario? É claro que sim. Universalmente existe uma cultura de valorização das empresas socialmente responsável, assim, certos investidores preferem aplicar seu capital em empresas que se “preocupam com o próximo” bem como as que seguem o modelo de governança corporativa.

Ao ser reconhecida por sua responsabilidade (voltamos a dizer, mesmo que essa responsabilidade não seja efetiva) as organizações usam esse título como marketing empresarial. Inúmeros consumidores preferem comprar produtos de empresas que utilizam um selo indicando sua responsabilidade, ou que compartilha parte de suas receitas com entidades filantrópicas, mesmo que os produtos sejam mais caros.

Assim, insistimos em dizer que numa perspectiva capitalistas demonstrativos como o Balanço Social é importante, pois fornece informações úteis para a sociedade, entretanto, o problema desta ferramenta de controle é que além de não ser obrigatória em nosso país, suas informações não precisam ser auditadas por empresas de auditoria, ou seja, fica a cargo da própria sociedade investigar se as informações apresentadas nos relatórios são verdadeiras.

Por tudo isso, torna-se complicado acreditar que uma empresa opte por livre e espontânea boa vontade contribuir com a superação das expressões da “questão social”, como é transmitido a nós através das mídias. Entretanto, o problema pode ir além quando se observa organizações posando de responsáveis quando em seu interior existe a exploração e expropriação da força de trabalho, a má remuneração e até a utilização de trabalho escravo. 


quarta-feira, 18 de maio de 2011

Celebrações e reivindicações marcaram festejos de Bicentenário paraguaio

Karol Assunção
Jornalista da Adital
Adital

Danças e festas populares tomaram as ruas paraguaias nos dias 14 e 15 para comemorar os 200 anos de independência do país. Entretanto, não foram apenas as celebrações que marcaram os festejos do bicentenário. Enquanto uns comemoravam, outros chamavam atenção e lembravam os diversos problemas e violações ocorridos no país ao longo desses anos.
Um dos grupos que se manifestou de forma crítica às comemorações foi a Coordenadora Nacional de Organizações de Mulheres Trabalhadoras Rurais e Indígenas (Conamuri). Em um comunicado, a organização comentou que não há razão para comemorações.
"Como festejar 200 anos de – independência nacional – quando as populações indígenas se encontram abandonadas a sua sorte, expulsas de suas terras pelos monocultivos de soja, sem os serviços básicos de luz e água para viver dignamente?”, questionou, lembrando ainda outras violações ocorridas no país, como violência contra a mulher e criminalização dos protestos populares.
De forma semelhante, a Federação pela Autodeterminação dos Povos Indígenas (Fapi), em comunicado, comentou sobre a exclusão e o desrespeito aos direitos das populações indígenas do Paraguai.
"Como poderíamos nos sentir convidados a ser participantes da celebração do Bicentenário quando a sociedade paraguaia e suas autoridades não têm reconhecido na prática nossa condição humana e não assumem responsabilidades ante as violações quase irreparáveis aos direitos fundamentais dos povos indígenas que se expressam cotidianamente em múltiplos casos que afetam comunidades e povos inteiros?”, perguntaram.
Desmatamentos, despojos territorial, cultural e socioambiental, violências. Essas são apenas algumas situações enfrentadas pelos indígenas no Paraguai, os quais ainda têm de lidar com a impunidade. No comunicado, divulgado no dia 12 de maio, Fapi apontou, entre outras questões, a falta de interesse do Ministério Público em terminar com celeridade as investigações de crimes que afetam os indígenas.
"(...) somam-se resoluções judiciais de várias circunscrições de nosso país que permitem o cultivo e a colheita de soja transgênica em comunidades indígenas, fatos ilegais cuja ação principal é violentar a todos os membros das comunidades afetadas, pois suas resoluções ordenam presença policial que causam enfrentamento e poderia ocasionar perdas da vida humana”, acrescentou.
A organização ainda ressaltou a produção do documento "Propostas de Protocolo para um Processo de Consulta e Consentimento com os Povos Indígenas do Paraguai”, realizado com o objetivo de ajudar na discussão sobre os direitos dos povos indígenas, e pediu ao Parlamento paraguaio a adoção da "Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas” como lei nacional.
Festejos passam, reivindicações ficam
Notícias dão conta de que milhares de pessoas foram às ruas para comemorar os 200 anos da independência paraguaia. Além da população local, os festejos contaram com a presença de delegações de 41 países e dos mandatários da Bolívia e do Uruguai. Ontem (15), o presidente paraguaio, Fernando Lugo, encerrou as celebrações oficiais do Bicentenário pedindo a unidade da população paraguaia.
Os festejos, entretanto, não acabaram com os problemas dos povos excluídos no país. De acordo com informações de agências, atualmente Paraguai possui 496 comunidades indígenas reivindicando suas terras. Além disso, somente 2,5% da população indígena têm acesso à água potável e 9,7% à energia elétrica.
Com informações de Telesur, EFE e Servindi



Violência repõe luta de classes no centro do debate da esquerda

02 de fevereiro de 2010

Resultado da ação do Estado que, por um lado, não garante a estrutura necessária para uma vida digna nas grandes cidades e, por outro, responde à criminalidade através de uma intervenção militar nesses territórios, a violência urbana tem transformado as periferias em espaços de resistência. Para o escritor uruguaio Raul Zibechi, a esquerda precisa enxergar este cenário e retomar a luta revolucionária, como uma alternativa ao crime para a juventude e à militarização imposta pelo Estado. 

Bia Barbosa - Carta Maior
O título da mesa, em mais uma das atividades do FSM Temático da Bahia, neste domingo (31), era “Violência nas periferias urbanas e ameaça è democracia”, mas unanimemente, entre palestrantes e participantes, o centro do debate deveria ser a militarização e a violência do Estado nas periferias. A explicação é simples: ao contrário do que propagandeiam os meios de comunicação, os grupos dominantes e os responsáveis pelas políticas de segurança pública no país, o principal responsável pela violência que atinge a imensa maioria das periferias brasileiras não é o crime organizado, e sim o próprio Estado brasileiro. 

“A violência de hoje das regiões metropolitanas é sintoma das condições em que vivem os trabalhadores e trabalhadoras nessas áreas. Faltam empregos, urbanização, equipamentos sociais, educação e espaços de convívio social. As pessoas vivem sem acesso aos direitos básicos à sobrevivência humana e, assim, se tornam reféns desta situação, sendo levadas à marginalidade. As áreas dominadas pelo tráfico e pelo crime organizado são aquelas onde o poder público não se faz presente”, explica Bartíria Lima da Costa, presidente da CONAM (Confederação Nacional das Associações de Moradores).

Neste contexto, a resposta do Estado à criminalidade crescente nas periferias não tem sido responder as suas causas estruturais, e sim promover uma intervenção com base na presença da polícia militar. Em muitas regiões, a polícia é a principal ou única presença do Estado nas periferias. 

“Isso parte da criminalização da pobreza. No Uruguai, Argentina, Chile há muitas políticas sociais para a periferia, mas uma boa parte delas são formas de disciplinamento dos pobres”, acredita o escritor e ativista uruguaio Raul Zibechi. “A ameaça à democracia, na verdade, vem da suposta resposta que o Estado, apoiado por um setor da sociedade e pela mídia, dá a essa questão da violência: é uma resposta militar, violenta e policial. Tanto que organizações internacionais de direitos humanos já disseram que a polícia brasileira é a que mais mata no mundo. Essa é uma subversão completa da democracia”, critica o carioca Maurício Campos, da Rede Contra a Violência.

Somente em 2008, 2.340 pessoas foram mortas em Salvador e região metropolitana, das quais 60% tinham em seu atestado o auto de resistência da polícia militar. De acordo com a coordenação da campanha “Reaja ou será morta, reaja ou será morto”, o modelo de segurança pública no estado da Bahia não se alterou na gestão atual. “Exigimos a demissão do secretário de segurança pública, César Nunes. Esses números são uma aberração que precisamos bradar pelo país. E este cortejo de defuntos
que está atrás de nós nos convida a isso: a reagir”, afirma Hamilton Borges. “Se quisermos sobreviver, precisamos politizar a nossa morte, senão ela passará despercebida. Não somos reféns do medo veiculado pela mídia. Todos os dias somos ameaçados e podemos morrer. Mas o medo não nos neutraliza”, completa.

E se num momento havia a necessidade de um discurso de ataque aos negros e pobres nas periferias, por parte da elite conservadora, agora ele não é mais necessário, analisa a jornalista Suzana Varjão, do Movimento Estado de Paz, que articula comunicadores em torno do debate sobre o tema, e integrante do grupo gestor do Fórum Comunitário de Combate à Violência. Agora, o pensamento está embutido no próprio discurso da imprensa, em diálogo com os interesses das classes dominantes.
Mesmo a violência dos grupos criminosos, que representa um problema sério para as periferias, foi apontada no debate como resultante de uma ação estatal secundada pela classe dominante e pelo setor empresarial: o tráfico internacional e comércio global de armas. Na avaliação de Maurício Campos, a legislação internacional – imposta pelos Estados Unidos e que vigora em todo o mundo, materializada em convenções entre os países – que proíbe a comercialização de todas as drogas, incluindo as que sequer foram desenvolvidas, e, por outro lado, libera totalmente a produção de armas, sem controle dos Estados, criou um cenário propício para a proliferação de grupos armados nas periferias.

“A legislação absoluta conta o comércio de drogas tornou esta indústria extremamente lucrativa e seu combate via repressão tem gerado uma violência enorme. Isso somado à ausência de controle da venda de armas, por uma ação consciente do sistema interestatal, tem levado a uma situação caótica nas periferias”, afirma Campos.

Como pano de fundo desta fórmula mortífera, o crescimento do capitalismo financeiro que, também sem controle dos Estados, permite à indústria da droga esconder seus lucros no sistema monetário internacional, via remessa de dinheiro aos paraísos fiscais.

Território revolucionário
Para Maurício Campo, esta situação permite ao Estado e às classes dominantes manter uma guerra permanente e progressiva contra o povo, utilizando a política de segurança pública como uma forma de elitização das cidades. “Se não percebemos isso, faremos políticas pontuais que não resolverão um problema que é global. Temos que encarar a luta do ponto de vista imperialista. Trata-se aqui de discutir projetos diferentes de organização da sociedade. A violência recoloca a questão da luta de classes, de varrer o que ainda existe de racismo e colonialismo, no centro da nossa reflexão”, afirma. 

Se há um aspecto positivo nisso tudo é que a violência dos grupos criminosos e do aparato estatal tem transformado as periferias em territórios de resistência, provocada pelo sentimento de injustiça social e indignação que todas essas populações cotidianamente. Foi isso o que demonstraram os fatos acontecidos em Caracas, na Venezuela, em 1999 ou em Santa Cruz, na Bolívia, em 2008. 

“Ali, onde vivem as pessoas que não têm nada a perder, há o único movimento potencialmente anti-sistêmico, e a esquerda precisa compreender esse território a partir de uma análise diferente da que fazem a mídia e as elites. Se compreendermos porque os meninos das periferias entram em relação com o crime, saberemos que buscam, não racionalmente, um pouco de dinheiro, um pouco de sucesso, mas buscam também auto-estima, autonomia, não só financeira, mas pessoal, e buscam poder”, analisa Zibechi. 

“Se não formos capazes de mostrar para eles outro pensamento, não vamos mudar essa realidade. E fazer isso significa a retomada, pelos movimentos, da luta pela mudança e pela revolução. Para esses meninos, a luta revolucionaria será uma alternativa, um caminho diferente da militarização, que retomará a utopia real da revolução. Muitos ficarão com o crime, mas muitos virão conosco”, acredita o escritor uruguaio.
“Isso não nos impede de atuar aqui e agora, e operar localmente para combater a violência. Mas a necessidade é a de demolir este modelo de Estado. A perspectiva ainda é a de outro Estado, outro modelo de nação. No capitalismo, nenhum sonho é possível”, conclui Hamilton Borges.

terça-feira, 17 de maio de 2011

A Cadeia Pública Laudemir Neves: o retorno.

Não é de hoje que destacamos a precariedade do sistema prisional brasileiro e, mais especificamente, de Foz do Iguaçu. Poucos funcionários, péssimas condições de trabalho, insalubridade e lotação são alguns dos elementos presentes e que precisam ser rapidamente eliminados. Todavia, grupos de direitos humanos não tendem a receber muita atenção quando explicitam tais situações.

            No entanto, no dia 13 de maio a Cadeia Pública Laudemir Neves recebeu a visita de uma comitiva do Estado no intuito de diagnosticar as condições de funcionamento e propor formas de solução para os problemas encontrados. Estavam presentes técnicos das Secretarias da Justiça, Segurança e Saúde e do Departamento Penitenciário. Além da Secretaria Municipal da Saúde, Itaipu, a Rede de Combate ao Câncer e o Conselho da Comunidade de Foz.

            Adivinhem o que eles observaram? Super lotação, insalubridade e graves problemas de saúde pública. Uma grande novidade!!! A cadeia suporta ao todo 130 presos e possuía atualmente 126 mulheres e 288 homens encarcerados, ou seja, 414 presos em um local projetado para 130!!! Um local muito mais do que “inóspito”, um local desumano, onde pessoas que deveriam estar detidas para aguardar julgamentos são antecipadamente condenadas a viverem em condições inaceitáveis.
           
            Contudo, esta não foi a primeira visita de comitivas de órgãos públicos e de setores empresariais a cadeia. Na verdade isso é algo comum, principalmente durante o inicio de governo. Seria interessante levantarmos quantas visitas similares a Cadeia Pública Laudemir Neves já recebeu e quantas efetivamente fizeram alguma diferença. Quantas comitivas passaram por aquele espaço e de fato fugiram da propaganda e das medidas paliativas? Será que a solução para a situação enfrentada é basicamente uma reforma? Será que a ampliação da estrutura resolveria?

            Evidentemente, que a situação na qual se encontra a Cadeia Pública de Foz do Iguaçu, como tantas outras existentes no país, é um caso de urgência, pois se configura como uma grave violação aos direitos humanos. Porém, acreditamos que as medidas imediatas que precisam ser adotadas para uma melhoria nas condições da instituição não podem ser desligadas da construção de uma nova concepção de segurança pública. A resolução dos problemas visualizados e existentes nos espaços prisionais não pode ser observada como um esforço cristão, mas como um dever político e humanitário.

            Em toda a América Latina vivemos hoje aquilo que denominamos de populismo penal. Em poucas linhas, a terminologia é utilizada para definir modelos políticos sustentados por posicionamentos referentes a medidas de segurança pública que visualizam no aumento da repressão e do número de vagas em cadeias e presídios a resolução dos problemas da violência no mundo contemporâneo. Em poucas palavras, aumentando o número de celas e melhorando a qualidade dos serviços prisionais melhoraríamos a segurança pública.

            Isso é um erro. O caminho para a segurança pública não se encontra unicamente em melhorar as condições daqueles que, por motivos diversos, cometeram “crimes”, mas na construção de formas de sociabilidade e de organização do trabalho que permitam a todos produzir e viver no e com o mundo, garantindo condições dignas de sobrevivência, sustentadas em outros valores sociais. Não é possível pensar nas cadeias e nas prisões deslocando-as do mundo que as torna necessárias. O sistema prisional não é algo que pode ser analisado isoladamente, ele só pode ser entendido a partir da constatação e do entendimento das suas correlações com o seu exterior. Neste sentido, fica uma pergunta para a reflexão: o modo no qual tratamos nossos presos não é um reflexo da forma em que vivem aqueles que se julgam livres?