sábado, 22 de janeiro de 2011

Hoje é sábado, dia de bate papo!

O punk rock é marcado por um som sujo e agressivo e por letras de protesto ou irreverentes. As bandas tendem a despejar diferentes olhares sobre a cotidianidade, sobre as práticas rotineiras impensadas ou sobre os limites que colocamos para nossa própria individualidade. No entanto, no meio disso, sempre há uma efervescente contradição. A postura niilista da primeira geração do estilo, negando a existência, a política e a esperança em dias melhores, gradativamente vai sendo contaminada e misturada com outros olhares, permitindo o nascimento daquilo que vemos hoje, entre as diferentes bandas de punk rock. Enfim, hoje apresentamos a conversa que tivemos com a banda Moloko de Ciudad Del Este, Paraguai. De forma objetiva, direta e irônica, a banda olha com sarcasmo o mundo e expressa um estranho desdém com a política, no mesmo tempo que a fazem de forma simples e concreta. Com vocês, Moloko!

1 – Gostaria que contassem um pouco da história dos integrantes da banda e explicassem como ela surgiu...
Comenzamos en el mes de agosto del 2009,, con la primera formacion fue Alvaro (Voz), Cuca (Bajo), Carlos (1ra Guitarra), Yeye (2da Guitarra) y Martin (Bateria), luego del primer concierto en septiembre del mismo año salen Carlos y Martin.  Quedando asi el grupo parado por algunos meses probando bateristas, hasta que encontramos a Joel, quedando asi una formacion estable, la cual continua hasta ahora.

2 – Quais as influências da banda? O que vocês andam escutando?
La principal influencia de la banda es la novela de Anthony Burgess “LA NARANJA MECANICA”, de ahi el nombre MOLOKO, que es la bebida que toman Alex y sus 3 drugos, en la parte de influencia musical estan bandas como Ramones, Misfits, La Polla Records, The Adicts, Dos Minutos, Ratos de Porao entre otros. Lo que andamos escuchando siempre es algo de punk, hardcore, ska y early reggae.




3 – Como vocês escolhem o repertório? Como é o processo de construção das músicas próprias?
El repertorio hacemos en los ensayos, haciendo una lista variando temas propios y covers,, Para hacer un tema propio partimos de alguna letra que empieza uno de los integrantes, modificando y aportando ideas en el ensayo y por ultimo le ponemos las melodias.

4 – Sobre que falam as canções de vocês?
Hablan sobre las aventuras de nuestro querido amigo Alex y sus drugos, tambien de la inseguridad, la represion policial, las tarantulas y lagartos (hahahaha), el Marzo Paraguayo, la religion y el gobierno que nos miente.




5 – Os integrantes da banda possuem algum envolvimento político ou aproximação com algum movimento, sindicato, partido...
Ninguno, no nos gusta la politica.

6 – Como é o movimento underground no Paraguai? A relação entre as bandas e a realização de eventos?
La escena ahora mismo se encuentra muy opaca, y no es muy unida que digamos, hay pocas bandas de punk (actualmente en ciudad del este somos la unica banda en actividad). Entre bandas no existe ni buena, ni mala relacion,, es mas cada uno por su lado, los conciertos tenemos que pagar las bandas por que nadie apoya el movimiento, SOMOS TODOS LO QUE SOMOS, ESTAMOS TODOS LOS QUE ESTAMOS (HAHAHAHAHA)




7 – Como a situação de vivenciar as fronteiras internacionais influência na produção musical de vocês? Ampliando, na opinião de vocês como as fronteiras interferem na vida de vocês?
Interfieren en la  opurtunidad de poder tocar en la triple frontera, tambien asi tener influencias de bandas tanto de brasil como de argentina. Para nosotros las fronteras son solo lineas imaginarias que dividen paises,, si al final somos todos hermanos.

8 – Como é a relação de vocês com o pessoal do Brasil e da Argentina?
Tenemos varias amistades con bandas del Estado de Parana, ya tuvimos la oportunidad de compartir escenario con bandas brasileras y una argentina.

9 – Pra finalizar, quais os planos futuros da banda?
Queremos grabar un material nuevo de mejor calidad con nuestro sello independiente y tener mas difusion y tambien tocar alguna vez frente a Benedicto XVI y el principe Carlos (hahahaha)

P.D: MOLOKO NO TIENE FINES DE LUCRO, NO PEDIMOS NADA POR TOCAR, SOLO INVITACIONES....




Para quem tiver interesse e quiser conhecer um pouco mais da banda, segue alguns endereços eletrônicos.

ORKUT DE MOLOKO

FACEBOOK DE CUCA (BAJO)

ACA PODES DESCARGAR NUESTRA DEMO Y VER ALGUNOS VIDEOS

MSN DE CUCA (BAJO)


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Agenda Cultural Alternativa

Rock in Concert:

Trapos de Grife (Blues/Rock n Roll - Foz)

Balizer (Pop Rock - Foz)

Favor Devolver (Foz)

Data: 22/01
Hora: 23:00
Entada: R$: 5,00
Local: Casulo Rock Bar, Av. das Cataratas com a Berlamino de Mendonça, próximo ao Muffato Boicy.
Informações: Robinho - (45) 9927-4166 / Cris (45) 9919-8734


Obs.: Menores de 16 anos com documentos em mãos.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Argentina desmantela trabalho escravo na agricultura

Por Alejandro Rebossio
Do jornal El País

            Uma multinacional do comércio de grãos, Nidera, que está presente em 22 países e tem sua sede na Holanda, foi denunciada no final do ano passado por um fiscal argentino e pelo Ministério do Trabalho de Buenos Aires por suposto trabalho escravo em uma de suas filias.

            A companhia, que também produz sementes, fertilizantes, herbicidas e fungicidas, negou a acusação, mas as condições desumanas em determinadas atividades agrícolas em pleno século XXI e em um dos setores mais produtivos da Argentina despertaram um debate tal que obrigou a realização de uma reunião na última quarta-feira entre o ministro do Trabalho argentino, Carlos Tomada, e os quatro principais coletivos de agricultores e criadores de gado do país. Tomada anunciou a criação de um espaço de ação conjunta para "erradicar o trabalho ilegal e as condições de servidão que a justiça está investigando".

            Mas as condições de escravidão na Argentina não foram detectadas só no campo, mas também em ateliês têxteis de Buenos Aires, em prostíbulos de todo o país e até em fábricas de tijolos dos subúrbios da capital ou da cidade de Neuquén, na Patagônia, tal como vem denunciando a cooperativa La Alameda, em que são empregados trabalhadores libertos dessa submissão. Cerca de 1,3 milhão de latino-americanos padecem do trabalho forçado, segundo a Organização Internacional do Trabalho - OIT.

            O fiscal Rubén Giagnorio denunciou sete empregados da Nidera por suposta "redução à servidão" (o que, em termos legais na Argentina, equivale ao trabalho escravo) de 60 menores e 120 adultos, temporários da província nortenha de Santiago del Estero, transferidos para o município de San Pedro (165 quilômetros ao norte de Buenos Aires).

            O fiscal e os máximos funcionários do ministério denunciaram que a Nidera os havia levado por 15 dias, sem saber quanto iam cobrar, e que os havia encerrado em uma propriedade, não os deixava sair e retinha os seus documentos de identidade. Segundo os denunciantes, dormiam amontoados em barracas como as de um campo de concentração, careciam de banhos, água potável, extintores e materiais para a segurança laboral, as instalações elétricas eram deficientes e sofriam descontos em seus salário para pagar a indumentária de trabalho e a comida, que um provedor externo lhes vendia a um preço maior do que nos comércios. Inclusive, fez-lhes pagar por pacotes de espaguete que levavam o logotipo do Ministério do Desenvolvimento Social de Buenos Aires e que são distribuídos gratuitamente. Além disso, as crianças manipulavam produtos químicos sem nenhuma precaução, segundo o governo bonaerense.

            A Nidera, que na Argentina é a sexta exportadora de grãos e a número um em produção de sementes de soja e de girassol, respondeu em um comunicado de imprensa que todos os trabalhadores estavam registrados na Seguridade Social, que as condições de salário, transporte, trabalho, alojamento, higiene e alimentação administradas haviam sido as estipuladas por lei e que nenhum desses "serviços" havia sido descontado da remuneração.

            A empresa também assegurou que os menores de idade tinham entre 16 e 18 anos e podiam trabalhar porque estavam autorizados ou acompanhados por seus pais. "A acusação se refere a uma prática industrial comum, em que as empresas de sementes contratam empregados temporários para desflorar plantas de milho híbrido", defendeu-se a Nidera, uma empresa de uma família holandesa-argentina que está presente em países como Brasil, Uruguai e do Leste Europeu.

            Nos últimos dias, ocorreram outras seis invasões de propriedades nas quais os ministérios do Trabalho bonaerense e federal descobriram que duas companhias de capitais argentinos submetiam à "servidão" outros 586 adultos e seis menores de idade. A questão ganhou tamanha dimensão que a presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, decidiu incluí-la na agenda da reunião que os coletivos agrícolas iam ter na quarta-feira com o ministro da Agricultura para discutir sobre a liberalização mercado do trigo.

Tradução de Moisés Sbardelotto.



terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Nova Vara de Família

            No dia 11 de janeiro de 2011 foi instalada em Foz do Iguaçu a 2ª Vara de Família e Acidentes de Trabalho. Como o próprio nome já diz, serão destinados a esta vara processos que tenham como objeto divórcios, guardas de filhos, alimentos, bem como processos previdenciários decorrentes de acidente de trabalho, dentre outros.

            A instalação da referida Vara, muito embora tardia, vem para desafogar os mais de 10 mil processos que tramitavam na então 1ª Vara de Família e anexos. Contando o novo cartório com um juiz, quatro analistas e dez técnicos judiciários.

            O único problema está no fato de que provisoriamente haverá apenas um juiz para atender as duas varas, até que o Tribunal de Justiça do Paraná designe algum magistrado para a nova. Em outras palavras, colocaram duas carroças pro mesmo cavalo puxar. Só esclarecendo que não queremos criticar o trabalho do julgador, que, por sinal, é bem quisto perante a grande maioria dos profissionais da área do Direito, em virtude do grande empenho nos últimos anos na resolução dos processos de sua competência. Esperamos a nomeação de um novo magistrado para o juízo em comento o quanto antes.

            Mas a principal novidade na implantação do cartório, está no fato de que todos os processos tramitarão por meio eletrônico, ou seja, acabaram-se, pelo menos ali, aqueles cadernos processuais com incontáveis páginas.

            Nova febre no Poder Judiciário, o processo eletrônico já funciona em muitos lugares no país, até mesmo aqui em Foz, onde as Varas Federais já utilizam o processo eletrônico há algum tempo, que leva a alcunha de E-proc, o que agilizou e muito a tramitação dos processos.

            Esperamos que o sistema eletrônico empregado pelo TJPR, o PROJUD, seja realmente ágil e simples, em outros termos, que funcione de verdade.

            A nova Vara de Família funcionará no Fórum Estadual de Justiça, na Avenida Pedro Basso, nº 1001, Bairro Polo Centro, em frente à TV Cataratas.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Hoje é Sábado! Dia de Bate Papo!

Hoje apresentamos uma conversa interessantíssima com um dos mais importantes representantes da cena Hip-Hop de Foz do Iguaçu. Em meio a tanta correria Eliseu Pirocelli, mais conhecido como Mano Zeu se dispôs a nos ceder algumas palavras sobre o trabalho que desenvolve na periferia e na cena underground na região das três fronteiras. Nosso entrevistado fala sobre música, favela, arte, política e desigualdade como alguém que sabe do que esta falando...

1 – Antes de ter carreira solo você participou de outros grupos de rap na cidade. Gostaríamos que falasse um pouco de sua história no movimento hip hop de Foz.
Quando eu comecei com meu trabalho solo eu brinquei com alguns amigos dizendo que não era uma carreira solo e sim uma correria solo. Não gosto muito da palavra carreira e também não uso muito a palavra artista. Sempre digo que sou "arteiro" e que estou numa "correria solo". Acho que pelo fato da música ser pra mim mais uma ferramenta pra militância do que um trabalho, uma profissão. Eu comecei no hip-hop como ouvinte quando eu trabalhava como DJ de música eletrônica, tocava em danceterias e festas particulares. A minha primeira participação mais efetiva no movimento foi em 1999 quando formei junto com um amigo (Nenê) um grupo de rap chamado Aliados da Periferia no qual eu era DJ. Nesse grupo eu fiquei por quatro anos e em 2003 fui convidado a participar do grupo Conexão PB, já como MC (cantor de rap) e letrista. Nesse grupo eu fiquei até 2007, quando ingressei na correria solo. Eu sempre gostei de escrever músicas em parceria, mesmo nesse trabalho - que é mais pessoal - tem a participação de 13 pessoas, de diversas favelas de Foz do Iguaçu.
Em setembro do ano 2000 a gente criou um coletivo de Hip-Hop chamado Cartel do Rap para difundir o movimento Hip-Hop na Cidade. Foi através desse coletivo que desenvolvi a maioria das atividades do Hip-Hop na cidade. Começamos com o "Rap na Quebrada", com o intuito de levar os shows de Rap para as favelas e conseguimos passar por dezenas de quebradas de Foz. O Cartel organizou três coletâneas com músicas de grupos de rap de Foz e recentemente montou um estúdio comunitário: o Iô Comunitáriô, com o intuito de facilitar o acesso às gravações e divulgação das músicas dos grupos da cidade. Foi através do Cartel também que foram produzidas 58 edições de um fanzine, o qual era distribuído gratuitamente nas favelas. O Fanzine ficou na ativa por cinco anos divulgando os eventos, as atividades e a produção literária da galera das favelas de Foz. Eu tive a oportunidade de participar de tudo isso nesses 11 anos que estou no Movimento Hip-Hop.

2 – Quais são suas influências? O que você escuta atualmente?
Eu sempre gostei de música com conteúdo social. Antes do rap eu conheci o funk, antes do funk conheci o rock, antes do rock conheci o samba. Minha mãe tinha muito vinil de samba de morro em casa, Bezerra da Silva, Leci Brandão... Eu que nasci numa favela, me identificava com as letras que falavam dos morros e favelas. Mais pra frente tive acesso ao rock nacional, já na escola, com o envolvimento com a galera do grêmio estudantil que levavam bandas pra tocar no colégio. Nessa época eu ouvi muito Raul Seixas, Titãs, Paralamas, Lobão, e me identifiquei com a politização que trazia em suas músicas, embora eles não falassem muito de favela. Alguns anos depois tive acesso ao Funk do Rio de Janeiro. As músicas falavam de favela, mas de uma forma diferente do samba. E pelo instrumental ser mais simples, não tão musicado, a gente se prendia mais na letra da música. Depois do funk veio o Rap. Pra mim o rap conseguia unir um pouco de cada coisa que eu já tinha ouvido até ali, falava de favela e trazia a politização nas letras de uma forma que eu me indentifiquei muito.
Mas, como eu fui DJ por muito tempo, aprendi a escutar de tudo. Hoje eu escuto  Funk, Rap, Rock, Samba, Hardcore, Punk, Forró, Música Instrumental, Erudita, Moda de Viola, Reggae. A música que eu mais escuto não é Rap, eu escuto mais MPB da década de 70. Gosto de ouvir vinil antigo, dessa época. Eu gosto do underground, da música alternativa, não me identifico muito com as músicas feitas somente com intuito comercial.

3 – Como você escolhe seu repertório? Como é o processo de construção das suas músicas?
O repertório do show eu escolho de acordo com o formato do evento e do local que o show está sendo realizado. Um show na favela é diferente de um show no centro, assim como um show num salão fechado é diferente de um show na praça, ao ar livre. Uma festa para comemorar algo ou para se divertir é diferente de um evento de protesto, uma manifestação. Quando eu sou convidado para participar de um evento eu tento coletar o máximo de informações para poder preparar o repertório. Tipo: Quem tá organizando, essas pessoas trabalham com o quê, quais outras bandas e estilos vão tocar no evento, quanto tá o ingresso, o evento é beneficente, tem vínculo político-partidário... Tudo isso influi no repertório e no discurso.
Quando eu to parado eu não consigo escrever nada, só escrevo em movimento, no meio da correria do dia a dia, trabalhando, fazendo corre, participando de reuniões, de movimentos, aí as idéias brotam na minha mente e eu passo pro papel. Assim como o poeta cearense Patativa do Assaré que bolava seus versos enquanto pegava na enchada e derrubava seu suor na roça, no sol quente do nordeste. Sempre fui cabreiro com a divisão social do trabalho, acho que por isso nunca almejei viver profissionalmente da música. A música que mais gostei de escrever é a Fala Favela, eu escrevi ela enquanto cuidava da minha horta, no final o rascunho ficou todo sujo de barro. Escrevi várias músicas na época que eu trabalhava no Paraguai, num depósito, carregando caixas.  

4 – Sobre o que fala suas músicas?
As minhas músicas são embasadas na minha convivência social e das demais pessoas moradoras de favela. Não só as minhas músicas, mas praticamente todas as pessoas que cantam rap vão cantar aquilo que observa e vive no dia a dia, assim como o cronista. O jornalista Sérgio de Souza, quando fundou a revista Caros Amigos disse algo assim para os seus companheiros: "vamos escrever sobre o que nos incomoda e sobre o que nos alegra, não vamos escrever em vão". Então eu sempre escrevo sobre algo que mexe comigo, a desigualdade social, a concentração de renda e de terra nas mãos de poucos, as injustiças sociais, a corrupção na política, a violência policial, o monopólio dos meios de comunicação, a destruição do planeta pelo modo de produção capitalista, a criminalização da pobreza, o preconceito e a discriminação, as guerras, os genocídios, o assassinatos dos nossos jovens, a política que privilegia os ricos e mata os pobres, a política que prefere investir em armamentos ao invés de escolas e hospitais...  

5 – Como você observa a relação da arte com a política?
Eu vejo a arte como uma ferramenta política. Sempre ouvi dizer que a arte e a cultura salva, que faz isso e faz aquilo, mas eu acredito que a arte por si só não transforma o mundo. Quem tem que transformar o mundo é todo o conjunto da sociedade. Todos os trabalhadores, os músicos, os professores, as empregadas domésticas, catadores de recicláveis, trabalhadores da construção civil, arquitetos, advogados, desempregados, todo mundo. Mas a arte não pode ser neutra, tem que trazer uma reflexão a respeito de algo, de como somos e de como podemos ser. O Brasil é capitalista, mas ele pode ser socialista, pode ser anarquista. Isso depende de todo o conjunto da sociedade se mobilizar pra isso. Ninguém vai parar o pensamento coletivo, a vontade coletiva de mudança. Acredito que o artista (arteiro) deve ter na essência de sua arte o seu pensamento, sua impressão, sua proposta pessoal, para ser discutido pelo coletivo. A discussão e a construção devem ser coletivas.
Recentemente abriu-se uma grande discussão dentro do Movimento Hip-Hop a respeito da política partidária. Vários manos começaram a se envolver em partidos políticos e disputar eleições. Isso causou um colapso enorme dentro do movimento e acabou com vários coletivos de Hip-Hop. Em minha opinião o Hip-Hop é um movimento social e as candidaturas dos manos enfraquecem o movimento. Com o governo Lula a relação estado/movimento social ficou meio esquizofrênica. Os movimentos sociais sempre foram a voz do povo frente aos governos e com o Lula mudou para a voz do governo frente ao povo. Os sindicatos e movimentos passaram a sentar com o governo para negociar e isso amorteceu a luta. As letras de rap que criticavam os erros e equívocos de outros governos, se calaram frente aos equívocos do governo petista, com o argumento de que esse governo foi melhor do que os outros e que se batermos no Lula vamos estar fortalecendo o Serra e dando brecha pra direita voltar no poder. Alguns coletivos de Hip-Hop apoiaram a invasão do Haiti, pelas tropas da ONU comandadas pelo Brasil. Alguns manos do Hip-Hop estão trabalhando junto com o estado para legitimar as UPPs no Rio de Janeiro. Outros estão nos grandes meios de comunicação, com uma atitude totalmente passiva a todas atrocidades causada pela grande mídia burguesa e sem levar os anseios das comunidades pobres para esses veículos. Se calaram e tomaram uma atitude pelega para não prejudicar seus partidos políticos. Eu acredito no Hip-Hop primeiro como um movimento social de ideologia revolucionária e depois como um movimento cultural e artístico. Muito desse enfraquecimento ideológico se deve também à massificação que o Hip-Hop vem sofrendo por parte da indústria cultural que sempre agiu assim: massifica uma cultura que tem legitimidade e tira dela todo seu significado.

6 – Além de seu trabalho como músico, você tem um grande envolvimento com as comunidades de Foz e com a discussão dos direitos humanos na região. Gostaríamos que falasse um pouco deste seu aspecto militante, o que você desenvolve? Como?
Recentemente eu comecei a participar de algumas reuniões do CDH (Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguaçu). Com o Centro eu participei de um ato contra a violência em Foz, no Colégio Carmelita que relembrou a Chacina do Porto Belo; de um debate com funkeiros do Rio de Janeiro no Teatro Barracão; debate na Unioeste com Ivan Seixas, sobre o PNDH3 (Plano Nacional de Direitos Humanos), entre outras atividades.
Produzi recentemente junto com o Danilo Georges um documentário sobre Foz do Iguaçu e lançamos na Unioeste junto com um Debate (Tensões e Contradições da Cidade) onde trouxemos a Adriana Facina (Historiadora do Rio de Janeiro) para participar da mesa.
A minha maior militância sempre foi dentro do Movimento Hip-Hop. A gente sempre participou da organização da semana da Consciência Negra junto com o MONARF (Movimento Negro e Anti Racismo de Foz do Iguaçu). Já fizemos eventos de protesto contra a guerra do Iraque na época, contra as tropas da ONU no Haiti, já organizamos debates. Participamos da Conferência de Cultura e da Conferência de Comunicação. Desenvolvemos oficinas de Hip-Hop para a comunidade. Começamos com a produção de audio-visuais com a galera da favela. Recentemente começamos um projeto de Horta Comunitária no bairro Cidade Nova e temos a intenção de montar uma Biblioteca Comunitária ali também. 

7 - Como a situação de vivenciar as fronteiras internacionais influência sua produção musical? Ampliando, em sua opinião como as fronteiras com o Paraguai e a Argentina interferem na sua vida?
Influência bastante a produção musical. Na parte instrumental a gente percebe no Rap de Foz do Iguaçu elementos da música latino-americana. Na questão das letras a gente percebe até no idioma, como encontramos palavras em guarani e em espanhol. Acredito que os moradores das favelas de Foz tenham uma relação melhor com o Paraguai do que com a Argentina. Por conta de muitos brasileiros trabalharem em Ciudad del Este criaram maiores laços de amizades pela convivência cotidiana, enquanto na Argentina tem toda uma burocracia para ingressar até lá, para entrar de carro ou fazer compras. Eu trabalhei sete anos no Paraguai e morei lá por dois anos. Fiz identidade e imigração paraguaia. Eu me identifico muito com a cultura e o modo de vida de nuestros hermanos. Gosto da vida simples, de se reunir com a galera no quintal de casa, tomar tererê juntos conversando e ouvindo música. É um povo mais próximo, que preservaram suas raízes indígenas, um país que não está tão industrializado e "desenvolvido", mas que ainda encontramos rios de água limpinha onde as crianças se banham e se divertem. Que pena que o governo só pensou na integração comercial através do Mercosul e não na integração cultural das três fronteiras. Nossas fronteiras estão cada vez mais militarizadas e cada vez menos integradas.


8 – Para finalizar, quais são seus planos futuros?
Quero juntar uma galera para fazer um trabalho mais amplo dentro do Movimento. Até aqui o Hip-Hop de Foz focou muito suas atividades nos shows. Sempre esteve ligado ideologicamente aos demais movimentos sociais, mas não desenvolveram muitas atividades em parceria. Eu quero buscar uma aproximação maior com os movimentos de luta pela terra, luta pela moradia, direitos humanos, comunicadores populares, militantes da cultura em geral. O Hip-Hop tem que organizar mais debates, fóruns de discussão, cursos de formação, protestos, manifestações. Pretendo também fazer faculdade.







Contato:
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Cel. 45 8417-3726

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

O Sucesso profissional e a figura do Professor.

Mais alguns dias e serão frequentes as reportagens, anúncios e propagandas sobre início das aulas, término das férias escolares e compra de material didático (...) quase sempre reforçados pelo discurso que afirma que a educação é um investimento para o futuro profissional e caminho para o sucesso.
            O sucesso profissional é o jargão facilmente encontrado por aí, principalmente nos slogans das empresas do ramo da educação; dentre elas as escolas técnicas, faculdades, cursinhos pré-vestibular e, a febre do momento: cursinhos preparatórios para concursos públicos. Este, portanto se tornou na atualidade, um dos principais carros-chefes, produto de venda do ensino mercantilizado, ou ainda, do ensino voltado à formação de mão-de-obra.
            Ok! Deixando a crítica desse pensamento um pouco de lado, em que a política pedagógica tem a alma de uma empresa de fast food, o Fronteira-Zero chama a atenção para o outro viés deste problema. Pois, numa sociedade em que a educação é apresentada como um caminho para o sucesso profissional, como conciliar essa ideologia com o ensino público desvalorizado? O aluno vê o seu professor como um profissional de sucesso, como um profissional valorizado?
            Vamos refletir. O professor não é o profissional que primeiro se apresenta aos alunos, como aquele que estudou toda a vida para ali estar lecionando? Não é ele o profissional que deveria primeiro se apresentar valorizado por sua profissão, fruto de anos de estudo, e por isso, bem sucedido?
            Desta forma, observando a lamentável situação em que se encontra o professor, talvez possamos entender um dos motivos que levam os alunos a desacreditar que o ensino abrirá as portas para o sucesso profissional.
            Enquanto eles observarem o professor mal pago, muitas vezes desmotivado, sem apoio e estrutura para repassar o conhecimento, aliado às salas abarrotadas de alunos que facilmente dispersam a atenção, uma estrutura sucateada, uma biblioteca ruim e muitas vezes não frequentada, além de laboratórios (quando existem) sem utilização ou sem materiais. Ficará difícil convencer-lhes de que a educação é o melhor caminho a ser seguido.
            Assim, o aluno não vê no professor o “sucesso profissional“ que ele poderia alcançar muito mais rapidamente, como, com o seu ingresso na marginalidade como no tráfico de drogas ou, mais especificamente aqui na fronteira, com o trabalho de atravessar mercadorias na Ponte da Amizade, muitas vezes, em ambos os casos, ganhando mais do que seu próprio professor.
            Por estes motivos, acreditamos que o ensino não pode ter como único propósito o sucesso profissional, devendo ser ressaltado o seu papel fundamental na formação de cidadãos participativos, com opinião própria e conscientes da sua realidade. Aliada ao processo de valorização do professor, não apenas no seu aspecto econômico (melhores salários), mas sim na conscientização de que é uma figura essencial dentro da sociedade, que necessita de apoio para a sua formação e para desenvolver suas atividades.