quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Documentário espanhol : El efecto Iguazú

O documentário produzido no ano de 2003 tem no seu principal enfoque, a visualização e crítica às privatizações no mundo globalizado. Retrata principalmente aquela que foi a pior das privatizações nos últimos anos: Na Espanha, no ano de 2001, milhares de trabalhadores são demitidos da empresa Sintil que decreta estado de falência após ser vendida para um empresário cubano-estadounidense por quase 5 (cinco) milhões de pesetas (moeda da Espanha).
Esses trabalhadores se unem e montam um acampamento chamada “Campamento de la Esperanza”, na perspectiva de recuperação de seus empregos.
Este que começou com um protesto em frente ao Ministério de Ciência e Tecnologia em Madri, se estendeu, abrangendo 1.800 funcionários e suas famílias que se instalaram e permaneceram no acampamento durante 18 meses.
Além da crítica do trabalho ao capitalismo, o documentário apresenta uma interessante questão, que se manifesta no próprio nome da produção: “El efecto Iguazú”, a partir daí é trabalhada a ligação desse movimento espanhol com as Cataratas e todo o atrativo turístico dos países Argentina e Brasil, desmontando o sentido de magnitude desse ponto turístico, para sua compreensão sob outras perspectivas.



O site H2Foz disponibiliza dois links para que o documentário seja assistido:

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As faces do preconceito

A discussão dessa palavra tão utilizada se tornou imprescindível para que a pensemos não somente pela ótica de julgamento de valores entre as pessoas - como ela é arduamente difundida - mas sim, salientar para outros aspectos que possam servir de suporte para inúmeras questões que permeiam nosso dia-a-dia.
Tratando desta questão, separamos a discussão buscando desvendar o grande potencial que ela possui, e somente a analisando por partes é possível se aproximar de uma explicação um pouco mais razoável, tendo sempre como fator principal o “conceito” propriamente dito.
Em primeiro lugar, como o nome já a caracteriza, a palavra preconceito é um “pré” conceito de algo, situação, pessoa, objeto. Ou seja, é o conhecimento a priori que se faz sobre infinitas questões, das quais ainda não se pode, por indeterminados motivos, buscar o conhecimento de forma mais ampla a respeito do que se está interpretando. Nesse ponto lembremos a forma como a palavra é difundida no consenso comum, quando preconceito é caracterizado por ser algo de conotação ruim, para apontar um primeiro equívoco. Não necessariamente este momento “pré” ocorre de forma ruim ou prejudicial a alguém, ele simplesmente é algo ainda não conhecido em sua totalidade, porém isso ainda não o caracteriza por ser a causa de algo ruim.
Nesse momento meramente o que se espera é haja a busca por um melhor entendimento do que está sendo interpretado – o conceito, evitando assim análises equivocadas a respeito de determinada coisa. Então, não necessariamente o preconceito pode ser caracterizado como algo ruim, mas se este “pré” conceito que está posto não for superado e vier a causar, de alguma forma, experiências que gerem danos ao que está sendo pré julgado, aí sim pode ser caracterizado como algo ruim, podendo causar danos ao que está sendo interpretado.
Isso demonstra uma diferenciação, na qual não necessariamente, faz do preconceito algo ruim, mais sim os atos gerados por este “pré” conceito. Diante disso, é necessário reclamar a quem está fazendo esse julgamento, pelo fato de suas ações estarem sendo feitas de forma incompleta. Dito isso fica mais fácil fazer uma distinção. Uma coisa é ter preconceito, outra coisa é causar dano ao outro por conta deste “pré” conceito.
Já em um segundo momento, falando especificamente do “conceito”, é preciso ressaltar a importância de buscar o conhecimento dos conceitos que estão estabelecidos em nossa sociedade, sendo que, não se pode questionar um conceito sem que se tenha outro conceito a mostra, capaz de confrontar coerentemente o que está posto. Ou seja, imaginemos uma situação, quando reclamamos que outra pessoa esta sendo preconceituosa e então essa pessoa faz o seguinte questionamento: mas então qual é o conceito? Dessa forma se não houver outro conceito estruturado, o que permite questionar o conceito do outro?
Nesse momento se inicia a discussão sobre qual o melhor conceito a ser utilizado diante do que se interpreta, por exemplo, quando alguma pessoa analisa um determinado conceito e o questiona como aquele não sendo o melhor conceito, logo temos uma discussão, não mais do “pré” conceito, mais sim um pós conceito. O conceito questionado é só mais um, mas não necessariamente “o” conceito. Mesmo sendo um conceito bem formulado e estruturado, ele ainda pode vir a prejudicar uma das partes. Neste caso não é mais o pré conceito que está a prejudicar, mais sim o conceito. Assim se cria o pós conceito, que vale destacar, só será possível à aqueles que possuem conhecimento dos conceitos estabelecidos, e que de ante mão possuem um conceito que irá superar ou não o conceito dominante, que esta posto.
Por isso da importância de se ter um ponto de vista definido para os aspectos que são imprescindíveis nas discussões do nosso cotidiano.
Dessa forma, o que queremos chamar a atenção diante da palavra preconceito é, que devemos direcionar nossa atenção não ao “pré”, mais sim para o “conceito” que as pessoas fazem das coisas. A origem do preconceito está fundada basicamente nos conceitos que são estabelecidos e que por si só geram automaticamente análises distorcidas da realidade, que muitas vezes vão contra as reais necessidades das pessoas que utilizam em suas vidas tais conceitos, e por outro lado, a incapacidade das pessoas conhecerem os conceitos estabelecidos para dessa forma questionarem de acordo com suas reais necessidades.
A partir dessa reflexão um tanto difícil na escrita, mas que talvez com o diálogo possa ser mais fácil ao entendimento, é que chagamos a algumas discussões bem próximas no nosso dia-a-dia.
Trazendo para a realidade da Fronteira, cotidianamente ouvimos vários conceitos sobre inúmeras coisas, que são ditas constantemente, conceitos que foram sendo formados com o passar dos anos e, da mesma forma como foi feita a banalização da palavra preconceito, também se nota o mesmo referente aos conceitos que, podemos dizer, estão sendo impostos a nós, e que diante do nosso raciocínio pode-se caracterizá-los como preconceituosos, pelo fato de não verem e nem buscarem um entendimento aprofundado do que estão tratando. De forma mais clara, vamos aos exemplos.
Criou-se no imaginário das pessoas que a cidade de Foz do Iguaçu é uma cidade “Turística”, e esse fato vem sendo cada vez mais trabalhado pelos meios de comunicação - com o investimento do poder público e sobre tudo de empresas privadas. Porém o questionamento, embasado no que foi dito sobre o pré conceito, conceito e pós -conceito, é o seguinte, qual é o conceito de cidade Turística?
Esse é o ponto chave. Partindo nosso conceito de cidade Turística - que agora não vem ao caso porque isso demandaria muito tempo - em nada é parecido com a realidade que encontramos em Foz do Iguaçu, onde o que vemos são basicamente dois grandes atrativos – Itaipu e Cataratas – que se localizam nos dois lados extremo da cidade. Resultado disso, de forma bem resumida: os Turistas simplesmente usam a cidade meramente como uma rota que interliga os dois pontos, e ainda ganham no “pacote” uma parada entre estes dois pontos da cidade que é uma visita ao país vizinho o Paraguay.
Dessa forma, poderíamos no máximo denominar Foz do Iguaçu de uma cidade com “potencial Turístico”, algo que para sua concretização necessitaria inúmeras mudanças estruturais no formato com que é conduzido o Turismo na cidade, e isso passa por uma mudança nesse equivocado conceito que foi imposto à cidade.
Uma vez que tal conceito passa a ser difundido e entra dentro de um consenso comum, isso em nada ajuda nas mudanças que seriam necessárias, causando uma estagnação e iludindo as pessoas que por sua vez acreditam que tal conceito é uma realidade incontestável, iludindo-se em um equilíbrio harmônico das coisas.
Esse exemplo é só um dos inúmeros que podem ser citados. A intenção aqui é causar a reflexão não somente para esse assunto em especifico, mas para todos os outros que interferem em nossa realidade. É de extrema importância que façamos a reflexão, sob quais conceitos estamos sendo conduzidos, ou seja, quais os conceitos implantados na educação pública, na assistência social, direitos humanos, cultura, fronteira, economia e tantos outros. Quais conceitos estão a frente de todos estes aspectos? Será que esses conceitos não são na verdade um preconceito?
Tais conclusões, só serão possíveis a partir do momento em que o maior número de pessoas estiverem formando seus próprios conceitos, para que possamos por a prova todos estes conceitos que estão postos e que atualmente passam por verdades absolutas, mas que porém, ao passar por uma análise mais atenta é possível discordar e ainda traçar conceitos mais justos, que reflitam as reais necessidades da população local.
Fica ai um convite à reflexão para que cada um possa buscar obter seus próprios conceitos, e que possam contestar os vários conceitos que estão postos a nós, e também podendo discordar deste conceito de preconceito.



sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Agenda Cultural Alternativa

Casulo Rock Bar
Addicted (Hardcore - Cascavel);
Insonia (Hardcore - Cascavel);
Pneumonia (Punk Rock - Foz).
Data: 12/02/2011
Horário: 23:00
Entrada: R$: 5,00
Local: Casulo Rock Bar
Informações: Robinho - 9927- 4166 / 8427- 0161

Cine Biblioteca do SESC 
Data: todas as terças e quintas 
Horário: 19h 
Entrada: entrada gratuita
Local: Biblioteca do Sesc Foz
Mais informações: (45) 3576-1311
Sessão 17/02 - O engenho de Zé Lins
Classificação: livre. 90 min. O longa traça o perfil do escritor José Lins do Rego, a partir de sua infância, no ambiente que imortalizaria em romances como Menino de Engenho, ligados ao ciclo da cana-de-açúcar, até  sua maturidade. Nesta fase, ao lado da paixão pela literatura e pelo futebol, Zé Lins sofria em segredo os reflexos de trágicos acontecimentos que o marcaram deste menino e que só agora são revelados no filme.

Feirinha da JK
Data: domingo
Local: Avenida JK, em frente à agência da Caixa Econômica Federal
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca

Feirinha da JK
Data: sábados e domingos
Local: Avenida Rep. Argentina, em frente ao Teatro Barracão
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca

Cine Cataratas Jl Shopping

Caça às bruxas

Classificação: 14 anos
Gênero: Ação/Suspense
Legenda: Dublado
Duração: 1h36
Horários: Diariamente: 15h, 17h10, 19h20 e 21h30

Cisne Negro

Classificação: 16 anos
Gênero: Drama/Suspense
Legenda: Legendado
Duração: 1h52
Horários: Diariamente: 16h40, 19h e 21h20

Enrolados | Em 3D

Classificação: Livre
Gênero: Animação/Comédia
Legenda: Dublado
Duração: 1h33
Horários: Diariamente: 14h e 19h40

Zé Colméia - O Filme | Em 3D
Classificação: Livre
Gênero: Animação/Família
Legenda: Dublado
Duração: 1h20
Horários: Diariamente: 16h10, 18h e 21h50

O Turista

Classificação: 12 anos
Gênero: Ação/Drama
Legenda: Legendado
Duração: 1h43
Horários: Diariamente: 17h,19h30 e 21h40

Cine Boulevard

De Pernas para o Ar

Classificação: 14 anos
Gênero: Comédia/Nacional
Legenda: Nenhuma
Duração: 1h54
Horários: Segunda e Quarta: 20h30, Quinta e Sexta: 19h45 e 22h15, Terça, Sábado e Domingo: 17h15, 19h45 e 22:15.

As viagens de Gulliver

Classificação: Livre
Gênero: Aventura/Comédia
Legenda: Dublado
Duração: 1h31
Horários: Segunda e Quarta: 20h, Quinta e Sexta: 20h e 21h50, Terça, Sábado e Domingo: 17h45, 20h e 21h50.

Além da vida

Classificação: 14 anos
Gênero: Drama/Suspense
Legendado: Legendado
Duração: 2h09
Horários: Segunda e Quarta: 21:30h, Terça, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo; 19:30h e 22:00h.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Turismo Burguês

Ultimamente só se fala em percentual de ocupação em hotéis, aeroportos, número de chegadas de pessoas, visitantes e turistas. Deixando os números de lado e fazendo uma análise sócio-política no setor de turismo, é condizente no mundo capitalista atual que as entrevistas pra justificar como “anda” o setor e/ou atividade seja toda respaldada em percentuais, mas cá entre nós porque só em percentuais econômicos?

Uma das razões pode estar ligada ao processo de crescimento econômico, que deveria gerar empregos e diminuir as desigualdades. No entanto, não é o que temos visto, principalmente na região das três fronteiras. Será que se chegarmos a dois ou três milhões de visitantes no Parque Nacional do Iguaçu todos os filhos de nossa terra estarão felizes? É certo que com o maior número de visitantes maior arrecadação de moedas das crianças que trabalham vendendo guloseimas para sobreviverem.

Porém, as preocupações do poder local vão além das cifras de visitação e o aumento de ocupações hoteleiras. 2014 está aí e a expectativa é um ano de muitas alegrias ao povo brasileiro, com Copa do Mundo e o não menos importante aniversário da Usina de Itaipu, completando 40 anos. Se Deus quiser nossos meninos que vendem doces nas ruas, dentro de ônibus e próximo a ponte da amizade ainda estarão firmes e fortes pra comemorar essa tão esperada data.

Pois bem, o turismo não se cria sem a comunidade. Se os nossos meninos estão maltratados, como vão tratar bem quem não é daqui, com que fervor ou com qual bondade irão fazer o bem para a cidade. Não se pode cuidar apenas da economia da atividade, é preciso observar os seus efeitos, constatar se ela está trazendo benefícios aos cidadãos iguaçuenses.

Assim, fica aqui um protesto de quem tem onde morar, mas consegue enxergar quem mora na rua.


quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Anistia Internacional denuncia aumento da violência de gênero após terremoto

Natasha Pitts
Jornalista da Adital

O terremoto de 12 de janeiro de 2010, ocorrido no Haiti, não levou da população deste país apenas entes queridos, moradia e os meios de sobrevivência. O desastre levou também a segurança e a tranquilidade de milhares de mulheres e meninas que todos os dias sofrem agressões físicas e violência sexual nos acampamentos precários onde residem.
Esta situação de vulnerabilidade foi denunciada pela Anistia Internacional no relatório "Réplicas. Mulheres denunciam violência sexual nos acampamentos no Haiti”. O documento tenta passar por meio de entrevistas, pesquisas e imagens a dor e o sofrimento de boa parte das 1.050.000 pessoas que vivem nos 1.199 acampamentos "provisórios” espalhados por Porto Príncipe, Jacmel e Las Cahobas.
Antes do terremoto, os direitos econômicos e sociais da população haitiana já eram violados, no entanto, a situação piorou significativamente. Os acampamentos onde centenas de sobreviventes começaram a se amontoar por não terem para onde ir são precários. "Em numerosos casos, os acampamentos reproduzem a pobreza, a desigualdade e a exclusão social absoluta que já assolava a vida das comunidades marginalizadas há muitos anos”, descreve o relatório.
Dentro desta realidade de abandono e miséria, as mulheres e meninas estão entre as que mais tiveram seus direitos humanos infringidos. Mesmo com o aumento da violência e das violações, pouca atenção foi dada aos direitos das mulheres e quase ou nenhuma ação foi feita no sentido de prevenir a violência sexual. A justificativa dada foi que o terremoto acabou com os poucos mecanismos de prevenção.
Enquanto não se age em favor das mulheres e meninas haitianas, grupos armados constituídos, em geral, por jovens agem principalmente durante a noite tirando o sono dos moradores e moradoras dos acampamentos.
"Em nosso acampamento não se pode viver em paz; à noite não podemos sair. Há disparos todo o tempo e ateiam fogo nas coisas (…). Onde vivo passo medo. Nossa vida não é boa; não é uma boa zona (...). Temos medo. Podem nos violar a qualquer momento (...). Nos vemos obrigadas a viver na miséria”, depôs Dina, haitiana sobrevivente de violação.
Além do sofrimento proveniente da violência física, também dói nas vítimas saber que seus agressores provavelmente não serão julgados e punidos pela justiça. A impunidade além de incentivar os atentados contra a mulher mostra a carência do sistema de justiça e das forças de segurança do país, que não veem como prioridade os crimes cometidos contra a população feminina.
Buscando contribuir com o fim do abandono das mulheres e meninas haitianas, a Anistia Internacional pede que o Governo crie e coloque em prática um plano para garantir a segurança de todos os moradores dos acampamentos, em especial mulheres e meninas. A recomendação é que "a análise de gênero e a atenção às necessidades das mulheres e meninas devem ficar perfeitamente integradas em todos os aspectos do trabalho de recuperação e construção”.
Outras medidas concretas que precisam ser tomadas pelo Estado são a manutenção e ampliação da presença da polícia nos acampamentos; o estabelecimento de um mecanismo uniforme e nacional para registrar as denúncias de violência sexual e de gênero; a identificação de práticas eficazes de prevenção à violência, além da garantia de ampla participação das mulheres e meninas na criação de estratégias para prevenir a violência de gênero e responder a ela.


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

La Garantia Soy Yo!

              No dia 03 de fevereiro Ciudad Del Este comemorou 54 anos de existência e de importância nas relações sociais e econômicas na região das três fronteiras. Possuidora de uma história marcada por rápidas transformações e por uma intensa participação em relações globais, o município paraguaio, com suas inúmeras vielas, nasceu olhando para o futuro e desenvolveu-se presa as tradições do passado.

            Projetada para ser um atrativo turístico e um pouso agradável para os viajantes que passavam pela rota internacional possibilitada pela construção da Ponte da Amizade, tinha nos seus interesses iniciais altos investimentos previstos para a estrutura turística. Hotéis, cassinos e mirantes para os saltos Monday e Acaray estavam presentes nas intenções da comissão responsável pela fundação no município na década de 1960.

            Antes de Puerto Iguazú e de Foz do Iguaçu, o governo paraguaio já visualizava na região a sua importância estratégica derivada das exuberantes paisagens e do possível comércio internacional ainda pouco explorado. Assim, em um segundo momento, Stroessner estabelece convênios com grupos estrangeiros para explorar economicamente a região que hoje conhecemos como o microcentro, nascia à primeira zona de livre comércio na região.

            A novidade acabou tornando-se central para o desenvolvimento local, encobrindo outras possibilidades de urbanização antes existentes. Rapidamente, o mercado de Ciudad Del Este ganha espaço regional, enfraquecendo a importância que o setor produtivo brasileiro e argentino possuía. Logo, as relações de interdependência existentes entre as cidades limítrofes tornaram-se mais acentuadas e acabaram sendo institucionalizadas com a construção de Itaipu.

            No entanto, o rápido processo de expansão de capital possibilitado pelo alto fluxo de migrantes e de mercadorias tecnologicamente avançadas dividia e ainda divide espaço com as heranças rurais, indígenas e essencialmente católicas da população nativa. O “moderno” e o “tradicional” coexistem em uma região em constante definição. Hora através de conflitos, hora através de um equilíbrio delicado e único, Ciudad Del Este se constrói com suas particularidades.

            Os microeletrônicos asiáticos e os alimentos “ocidentais” dividem espaço com a gastronomia tradicional e com o guarani. A concorrência e a busca constante pelo lucro abrem espaço para a tranqüilidade nativa, para a solidariedade e para o companheirismo nas rodas de tererê e no auxilio nas vendas. O caos das ruas do microcento esconde a beleza e a tranqüilidade do Lago Municipal, do Refúgio Biológico e do Salto Acaray.

            Ciudad Del Este pode afirmar de forma convicta, “la garantia soy yo!”. Não devido à desconfiança em relação aos produtos disponibilizados em suas lojas e mesitas, mas pela sua importância no desenvolvimento regional e na definição de uma identidade cultural diferenciada para as três fronteiras. Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú não teriam suas atuais configurações sem presença tão intima do universo de contrastes que funda nossa Flor de Liz.  


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Manifestação Artística

ABC do Trabalhador

Trabalhador Atormentado
Trabalhador Bestializado
Trabalhador Calejado
Trabalhador Domado
Trabalhador Embaçado
Trabalhador Formalizado
Trabalhador Gerado           
Trabalhador Humilhado
Trabalhador Idealizado
Trabalhador Judiado
Trabalhador Largado
Trabalhador Maltratado
Trabalhador Negociado
Trabalhador Observado
Trabalhador Padronizado
Trabalhador Questionado
Trabalhador Rafado
Trabalhador Suado
Trabalhador Talhado
Trabalhador Usado
Trabalhador Validado
Trabalhador Xingado
Trabalhador Zoado

O trabalhador acorda, come, trabalha. Trabalha acorda, come. Trabalha come, acorda. Trabalha, trabalha, trabalha...

O Operário - Portinari
Retirado do: