quinta-feira, 10 de março de 2011

Jornada denuncia uso abusivo dos agrotóxicos

Até o momento, foram realizados protestos em SP, MG, RJ, BA, CE, SC, PE, RS, SE e ES. Dia 12 é a vez da capital Paulista.
Da redação
Brasil de Fato
 Uma série de ações marca, esta semana, a Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina. As atividades acontecem em conjunto com movimentos sociais urbanos em vários estados para denunciar os impactos do uso abusivo de agrotóxicos sobre a saúde e o meio ambiente.
Até o momento, foram realizados protestos em São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Ceará, Santa Catarina, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Sergipe e Espírito Santo.
“A produção em grande escala com venenos traz consequência para a vida das pessoas, seja no campo, seja na cidade. Temos necessidade de consolidar esse debate na cidade, que é um debate para a humanidade”, afirma a integrante da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Marisa de Fátima da Luz
O Brasil ocupa, desde 2008, o primeiro lugar no consumo mundial de agrotóxicos, além de ser o principal destino de defensivos agrícolas proibidos no exterior. Na safra de 2009, foram utilizadas um milhão de toneladas desses produtos.
De acordo com dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), 15% dos alimentos consumidos no Brasil apresentam taxa de resíduos de veneno em um nível prejudicial à saúde.
 Caminhada
Ainda em celebração ao Dia Internacional de Luta das Mulheres, cerca de cem organizações feministas promovem uma manifestação em São Paulo no dia 12. A concentração terá início às 9h30min no Centro Informação Mulher, na Praça Roosevelt, no centro da cidade. De lá, as mulheres seguirão pelo centro da cidade, encerrando o ato na Praça da Sé.
“Estamos em luta diária contra a violência sexista, pela descriminalização e legalização do aborto, valorização do nosso trabalho, educação de qualidade para todos e solidárias às lutas anticapitalistas travadas no Brasil e no mundo”, afirma o manifesto das entidades.
Já no dia 8, o bloco “Adeus, Amélia!” levará a mensagem das feministas à população paulista. A concentração terá início às 14h, no final do elevado Presidente Artur da Costa e Silva, o Minhocão (próximo à Avenida Francisco Matarazzo).
 (Com informações da página do MST)

quarta-feira, 9 de março de 2011

Relatório alerta para situação de trabalho infantil no país

Karol Assunção
Jornalista da Adital

      "O trabalho infantil costuma associar-se a não inclusão educativa, à repetência e ao abandono escolar; todas situações que se consideram deficitárias em termos do direito à educação”. Isso é o que destaca o relatório "O trabalho infantil-adolescente e a reprodução das desigualdades sociais”, do Barômetro da Dívida Social da Infância, da Universidade Católica Argentina (UCA).
      Mesmo com leis e convenções que proíbem o trabalho de crianças e adolescentes, a atividade ainda é uma realidade nas cidades urbanas da Argentina. De acordo com a pesquisa, estima-se que 17% das crianças e dos adolescentes entre cinco e 17 anos que vivem na parte urbana do país trabalham ajudando os pais em atividades domésticas ou como empregados.
"Calcula-se que 6,9% realizam unicamente trabalhos domésticos como cuidar de irmãos, fazer a comida e atender diferentes aspectos do lar (limpar, arrumar as camas, fazer compras, lavar e passar), 8,7% realizam trabalhos não domésticos e 1,4% realizam ambas atividades, quer dizer, tarefas domésticas e não domésticas”, destaca.
       O estudo revela que o tipo de atividade exercida pela criança e pelo adolescente tem relação com questões como sexo e condição socioeconômica. Os meninos, por exemplo, possuem o dobro de chance de exercer atividades não domésticas do que as meninas. Elas, por sua vez, são maioria não só no trabalho doméstico, como também em realizar as duas atividades.
Segundo o relatório, a proporção de meninas e mulheres no trabalho doméstico é três vezes maior do que a dos homens, e 5,4% delas realizam atividades tanto domésticas quanto não domésticas. A porcentagem de meninos nas duas atividades cai para 1,1%.
      Diferença parecida acontece em relação ao estrato social. De acordo com estudo, quanto mais baixa a classe social, maior a probabilidade das crianças e dos adolescentes realizarem atividades domésticas e não domésticas.
        A preocupação com o trabalho infantil não é exagero. Além de crianças e adolescentes perderem a infância e a adolescência realizando tarefas destinadas a adultos, a atividade prejudica a formação escolar e o desenvolvimento pleno do indivíduo.
      "Conjectura que, no marco desses lares, o trabalho infantil contribui mais ainda para a reprodução da pobreza, tanto que a incorporação prematura de meninos e meninas ao mercado de trabalho aumenta a propensão ao abandono escolar, à circulação por processos de formação deficitários, assim como compromete sua saúde, tudo o que condiciona o desenvolvimento humano e social da pessoa e promove a reprodução inter-geracional da pobreza”, alerta.


terça-feira, 8 de março de 2011

Foz do Iguaçu no Mapa da Violência no Brasil

      Quando se retratam os quadros de violência no Brasil destacam-se sempre os índices de homicídios. Estes não correspondem os únicos reflexos do problema, mas configuram-se como seus casos mais extremos. Além disso, a violência física e psicológica, roubos, furtos e assaltos possuem baixos índices de denúncia. Nos casos de violência física, só 6,4% dos jovens denunciaram à polícia; nos casos de assalto/furto, só 4%; nos casos de violência no trânsito, só 15%.
      Como destaca Waiselfisz, autor do “Mapa da Violência 2010”, o tratamento do crime, da violência e do suicídio como fato social, ou seja, como um objeto de estudo sociológico, permite reabilitar cientificamente esses fenômenos e demonstrar que a prática de um crime depende não tanto do indivíduo, senão das diversas formas de coesão e de solidariedade social. Do mesmo modo, as diversas formas de produção homicida, longe de serem produtos aleatórios de sujeitos ou grupos isolados, configuram comportamentos que encontram sua explicação nas situações sociais, políticas e econômicas que o país atravessa.
      O relatório de pesquisa do Instituto Sangari, demonstra que o número de homicídios no Brasil cresceu sistemática e significativamente até o ano de 2003, com incrementos elevados: em torno de 5% ao ano. No entanto, em 2004, essa tendência se reverte, quando o número de homicídios cai 5,2% em relação a 2003. Uma das possíveis explicações para essa queda pode ser às políticas de desarmamento desenvolvidas a partir de 2003. Contudo, nada permite afirmar que tais políticas tenham sido mais importantes que a estabilidade econômica e política que o país vem encontrando.
      Tomando em consideração o crescimento populacional, a evolução na década apresenta-se como uma grande pirâmide com os anos extremos praticamente idênticos (25 homicídios em 100 mil habitantes) e um pico pronunciado nos anos centrais – 2002 e 2003 –, quando as taxas se elevam para quase 29 homicídios em 100 mil habitantes. Estes dados se referem a uma observação geral do problema. Os índices variam muito conforme a faixa etária, o sexo e a raça das vítimas de homicídio.
      O documento publicado pelo Instituto Sangari demonstra que Foz do Iguaçu encontra-se no 12º lugar entre os municípios que possuem os maiores número e taxas médias de homicídio (em 100.000) na população total dos municípios brasileiros, apresentando índices de 241 285 275 327 292 entre os anos 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 respectivamente. No entanto, a situação se agrava quando são observadas mais especificamente as taxas de homicídios referentes aos jovens. O município encontra-se em primeiro lugar naquilo que se referem ao “Número e Taxas Médias de Homicídio (em 100.000) na População de 15 a 24 anos nos Municípios com 2.000 ou mais Jovens de 15 a 24 anos”, apresentando índices 102, 134, 135, 153 e 143 homicídios a cada 100.000 habitantes entre os anos 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 respectivamente.
      Os números referentes aos homicídios de jovens colocam o Brasil em uma incômoda 6ª posição entre os diferentes países do globo, logo abaixo de países com evidentes problemas com suas gangues juvenis, como El Salvador e Guatemala, ou países de longa história de guerrilhas e narcotráfico, como a Colômbia. A situação do Brasil, com 50,0 homicídios a cada 100 mil jovens, encontra-se bem longe da de países como Japão, Hong Kong, Islândia ou Cingapura, que praticamente não registram homicídios jovens, ou a de países como Itália, Polônia, Grécia, Suécia, Coreia, Austrália, Reino Unido, França, Noruega, Suíça, entre outros, que registram menos de um homicídio em 100 mil jovens.
      Naquilo que se refere ao “Número e Taxas Médias de Homicídio (em 100.000) na População de 15 a 29 anos”, Foz do Iguaçu encontra-se em terceiro lugar, atrás dos municípios de Maceió e Arapiraca, ambos no Estado de Alagoas. Os índices de homicídios a cada 100.000 habitantes são de 141, 177, 184, 211 e 187 entre os anos 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007 respectivamente. Contrário às quedas nas taxas de homicídios das Capitais e Regiões Metropolitanas no interior dos estados, observa-se um crescimento de 37,1% entre 1997 e 2007. Essa diferença de ritmos, com Regiões Metropolitanas e Capitais estagnando ou caindo enquanto o interior continua crescendo representa uma interiorização da violência;
      A identificação deste processo é significativa por chamar a atenção para as novas dinâmicas de desenvolvimento no país. Os homicídios representam a violência e também as metamorfoses das questões sociais originadas da ampliação dos antagonismos econômicos e políticos promovidos através da expansão do capital no oeste brasileiro. A violência no interior do território nacional está vinculada as disputas de posições de grupos econômicos presos, por sua vez, ao contrabando, ao descaminho, a política de cabresto e a outras práticas ilícitas. Assim, os dados revelam a existência de processos complexos que vêm forjando uma realidade social delicada na defesa do acúmulo de capital desenfreado. Com isso, destaca-se que pensar em segurança é pensar em processos de desenvolvimento e de organização do modelo econômico atualmente existente.


segunda-feira, 7 de março de 2011

Dia de Mulher

A todas a mulheres...
Há mulheres que sofreram caladas;
Mulheres que foram discriminadas;
As mulheres que foram exploradas;
Aquelas mulheres que foram arrancadas do seu berço.
Há mulheres que lutaram pelos seus ideais.
Todo dia é dia de mulher.
Mulher de carinhos;
Mulher de amor;
Mulher de lutas;
Mulher cansada;
Mulher sofrida;
Mulher feliz;
Mulher sonhadora...
Todo dia é dia mulher
Para todas as mulheres que não se abalam e não deixa de sonhar. Persiste em seus sonhos, por mais cansada que estiver ainda segue amando e dando carinhos nas lutas percorrido pelo caminho que traçam mesmo com tanta discriminação não desistam dos ideais e seguem felizes.
Para todas as: Alines, Andressas, Danielas, Gismeires... Mulheres!!! Sejam felizes...!!!
Parabéns!!!

sexta-feira, 4 de março de 2011

Agenda Cultural Alternativa




Cinema Aberto no Teatro Barracão
A Batalha de Argel
Data: Sexta-feira (4 de março)
Horário: 19h30
Local: Teatro Barracão - Praça da Bíblia
Entrada gratuita

Lançamento: 1965 (Argélia, Itália)
Direção: Gillo Pontecorvo
Atores: Brahim Haggiag, Jean Martin, Yacef Saadi, Ugo Paletti.
Duração: 117 min
Gênero: Drama

Sinopse: Os eventos decisivos da guerra pela independência da Argélia, marco do processo de libertação das colônias européias na África. Entre 1954 e 1957 é mostrado o modo de agir dos dois lados do conflito, a Frente de Libertação Nacional e o exército francês. Enquanto que o exército usava técnicas de tortura e eliminava o maior número possível de rebeldes, a FLN desenvolvia técnicas não-convencionais de combate, baseadas na guerrilha e no terrorismo.


Carnafalls 2011 - Carnaval de Rua de Foz do Iguaçu
Data: 5 a 8 de março
Local: Avenida Duque de Caxias e Rua Marechal Deodoro
Entrada: R$ 3; gratuita no domingo e terça, das 14h30 às 19h. 
Menores de 10 anos e maiores de 60 anos têm direito a entrada franca.
Meio ingresso somente com carteira de identidade e carteira da UPE.

Feirinha da JK
Data: domingo
Local: Avenida JK, em frente à agência da Caixa Econômica Federal
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca

Feirinha da Praça
Data: sábados e domingos
Local: Avenida Rep. Argentina, em frente ao Teatro Barracão
Horário: 8h às 12h
Entrada: franca

Cine Cataratas Jl Shopping

Caça às bruxas

Classificação: 14 anos
Gênero:Ação/Suspense
Legenda:Dublado
Duração:1h36min.
Horários:Diariamente: 15h, 17h10, 19h20 e 21h30

 

Cisne Negro

Classificação: 16 anos
Gênero:Drama/Suspense
Legenda:Legendado
Duração:1h52min.
Horários:Diariamente: 16h40, 19h e 21h20

O Besouro Verde (3D)
Classificação: 12 Anos
Gênero: Ação/Comédia
Legenda: Legendado/dublado
Duração: 1h59min.
Horários: Diariamente: 14:20h e 16:40h (Dublado) / Diariamente: 19:10h e 21:40h (Legendado)

Rango
Gênero: Animação
 Classificação:
Livre
 Legenda:
Dublado
 Duração:
1h47min
Horários: Sexta, Sábado, Domingo, Segunda e Terça: 15:00h e 17:20h / Quarta e Quinta: 15:00h, 17:20h, 19:30h e 21:50h
Justin Bieber: Never Say Never (3D)
Gênero:Musical
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h45min.
Horários: Diariamente: 19:10h (Dublado) / Diariamente: 21:40h (Legendado).

Gnomeu e Julieta (3D)
Gênero: Animação
Classificação: Livre
Legenda: Dublado
Duração: 1h24min
Horários: Diariamente: 14:00h e 15:50h e 19:45h

O Discurso do Rei
Gênero: Drama
Classificação: 12 Anos
Legendado
Duração: 2h03min
Horários: Diariamente: 16:20h, 18:50h e 21:20h

Esposa de Mentirinha
Gênero: Comédia Romântica
 Classificação: 12 Anos
 Legendado
 Duração: 1h57min
Horários: Diariamente: 16:00h, 19:00h e 21:30h

Cine Boulevard
O Besouro Verde (3D)
Classificação: 12 Anos
Gênero: Ação/Comédia
Legenda: Legendado/dublado
Duração: 1h59min.
Horários: Diariamente: 17:50h

As viagens de Gulliver

Classificação: Livre
Gênero:Aventura/Comédia
Legenda:Dublado
Duração:1h31
Horários: Diariamente: 20:10h e 22:10h

Bruna Surfistinha
Classificação: 16 anos
Gênero: Drama
Legenda: Nacional
Duração: 1h 50min.
Horários: Diariamente: 17:40h, 20:00h e 22:30h.

O Ritual
Classificação: 14 anos
Gênero: Suspense
Legenda: Legendado
Duração: 1h 54min.
Horários: Diariamente: 19:30h e 22:00h.

quinta-feira, 3 de março de 2011

O direito de não ter direito: Moradia um problema social.

De acordo com o Artigo 6° da Constituição Federal de 1988, o direito a moradia é garantido como um direito social de todo cidadão; porém a realidade posta é contraria a esta lógica. Este direito vem sendo usufruído plenamente, apenas por uma parcela mínima da população que detém maior poder aquisitivo.
Em uma analise conjuntural, se observarmos a maneira como está transposta a divisão sócio espacial dos aglomerados urbanos das cidades, vê-se que o conceito de território esta subdividido de acordo com as relações de poder que se estabelecem entre os grupos sociais, ou seja, a apropriação do território se da de acordo com o grupo social ao qual fazem parte um contingente de pessoas que tenham características econômicas e sociais semelhantes.
O processo de urbanização e a concentração da população nos grandes centros determinam alguns indicadores, como a ocupação inadequada do solo comprometendo áreas ambientais (invasões) e o crescimento exponencial das favelas e ocupações ilegais nas margens de córregos e rios, colocando a vida dos moradores em risco, principalmente pela ocorrência de enchentes e risco de contrair doenças.
Outro aspecto importante é quanto ao mercado imobiliário excludente que, monopoliza as terras mais bem localizadas para uso restrito e altamente especulativo limitando o acesso à cidade e a moradia para todos, excluindo a população pobre que não tem condições econômicas e os segregando nas franjas da cidade.
Historicamente vemos no Brasil o uso político partidário das ações classificadas na legislação enquanto direito do cidadão; na habitação isto não é diferente, se tomarmos como referencia a realidade local do município de Foz do Iguaçu teremos uma situação segregadora e excludente do público alvo das políticas publicas de habitação. A cidade teve como fator condicionante a explosiva ocupação territorial a partir da construção da Usina Hidrelétrica de Itaipu na década de 70. Após o inicio das obras o deslocamento de pessoas em busca de trabalho triplicou o número de habitantes na cidade, o que ocasionou uma ocupação desproporcional, desordenada e sem planejamento.
Deste modo, na atualidade mesmo com tentativas de ”desfavelização”, - principalmente nas áreas centrais da cidade – as ocupações ocorrem com maior freqüência do que a retirada desta população das áreas de risco, e quando tal fenômeno ocorre às famílias são deslocadas para conjuntos habitacionais afastando-os da região central e lucrativa da cidade, além do que os terrenos disponibilizados para construção de conjuntos habitacionais, geralmente ficam localizados nas áreas periféricas da cidade distantes do acesso aos serviços de interesse público e sem infra-estrutura adequada.
Como exemplo disto podemos citar o ocorrido neste último dia 22 de fevereiro, onde a população do Bairro Arroio Dourado não aceitando a transferência para região de Três Lagoas, realizaram um protesto de repúdio contra a mudança.
            A situação vivida pelos moradores do bairro Arroio Dourado já se perdura por algum tempo. O Ministério Público (MP) intimou a Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu a retirar as 78 famílias que moram no bairro, pelo fato deste não apresentar condições adequadas para a moradia. A pena imposta pelo não cumprimento do pedido é  de R$ 2 milhões.
            O “Arroio Dourado” foi utilizado como deposito de lixo por vários anos e logo após sua desativação, várias famílias construíram casas naquele local (evidentemente por falta de opção). Sendo assim, segundo entendimento do MP, essas famílias devem ser remanejadas para outro lugar devido à presença de resíduos tóxicos nos solos, o que é prejudicial à saúde dos moradores.
            Visando atender este pedido, a Prefeitura Municipal pleiteia junto a Caixa Econômica Federal recursos para construção de casas populares, que levarão de 4 à 6 meses para serem concluídas após aprovação do crédito, entretanto, as novas residências estão previstas para serem construídas na Região de Três Lagoas, o que deixou os moradores insatisfeitos.
            Para os moradores do bairro, a transferência para “tão longe” é inviável, pois a maioria deles trabalham nas proximidades, em área rural. Caso os moradores sejam obrigados a se mudar, a distância inviabilizaria suas vindas para o trabalho, o que na pratica os levariam a abandonarem seus empregos. Ou seja, além de serem obrigados a saírem da comunidade que já criaram vinculo, fatalmente ficarão desempregados.      Apesar do MP indicar que o local é impróprio para a moradia, tanto a prefeitura quanto os moradores questionam tal opinião, alegando que em mais de 10 anos não houve registros de pessoas que tenha adoecido pelos motivos apresentados como agravante. Enquanto este impasse não é resolvido, fica a incerteza entre os moradores sobre seus futuros.
            Analisando essas informações apresentadas percebemos como o município não possui um projeto habitacional eficiente e inclusivo. Devido a pratica habitual de implantação dos “conjuntos habitacionais” em regiões remotas da cidade, este segmento fica sem “opção de escolha” quanto a localização de sua futura moradia, reafirmando no ideário popular a idéia de que “já que é de graça, vou reclamar do que e para quem?” (de graça na verdade não é, pois as parcelas se estendem por anos luz).
Nesse sentido o controle social, que dispõe desde a Constituição Federal tem papel importantíssimo para a formulação e execução das políticas publica em todos os seus níveis de governo, acaba tendo seu caráter “distorcido” onde a realidade social de seus beneficiados fica relegada à segundo plano pelos órgãos públicos gestores, contrastando com a função social da cidade devidamente expressa e regulamentada pelo “Estatuto da Cidade” – lei federal nº 10-257/2001.
Considerando o grande acervo de políticas sociais conquistadas no Brasil e sua grande importância para a vida da população brasileira, que em sua maioria esteve relegada a própria sorte, podemos visualizar que a política habitacional mais especificamente, não tem sido vista como prioridade para os gestores municipais, nem ao menos tratada como pública, considerando que as medidas adotadas, não solucionam nem tão pouco atingem a totalidade da população que dela necessita. Para isto emerge a necessidade da construção coletiva de uma política habitacional e urbana que possibilite o real compartilhamento de serviços públicos de qualidade, que possam assegurar uma distribuição dos espaços urbanos de maneira igualitária e justa para todos.
É preciso resgatar as reais funções sociais do Estado, para que o direito a cidade seja de fato implementado, com base na concretização da cidadania plena e o combate a especulação do mercado imobiliário e a privatização dos bens naturais e serviços públicos, ampliando o conceito de cidadania na busca por uma nova ordem societária, justa e igualitária.



quarta-feira, 2 de março de 2011

Isolando presos, isolando agentes...

             Como medida de combate a violência e ao crime organizado, o governo brasileiro iniciou há aproximadamente cinco anos um processo de desenvolvimento do sistema prisional federal. A Diretoria do Sistema Penitenciário Federal, pertencente ao Departamento Penitenciário Nacional (DEPEN), visa desarticular os grupos e isolar os seus líderes e interferir diretamente na articulação das ações criminosas promovidas no território nacional. Neste sentido, cinco presídios de segurança máxima foram construídos em locais de difícil acesso e em comunidades de baixa densidade demográfica.
            Para garantir o funcionamento dos mesmos, foi criado à categoria profissional dos Agentes Penitenciários Federais, trabalhadores de nível médio, com salários iniciais superiores a R$ 4.000,00 e que passam por um forte treinamento oferecido pela Polícia Federal. Tais trabalhadores atuam em condições bem superiores àquelas vivenciadas pelos Agentes Penitenciários Estaduais, principalmente naquilo que se refere à remuneração e a segurança, mas, por outro lado, não possuem as mesmas condições de carreira que é oferecida aos policiais federais.
            O isolamento das estruturas prisionais, fincadas em regiões até então de pouca visibilidade midiática e o padrão de vida oferecido aos agentes que ingressam na carreira através de concurso público, fomentam uma conjuntura incomum e até mesmo contraditória. Como demonstra Dino Buzzati, famoso romancista italiano, o Forte Bastiani localizado no deserto dos tártaros era garantia de segurança profissional, mas de solidão física e psicológica. Uma história de ficção que guarda profundas semelhanças com a realidade brasileira.
            As possibilidades profissionais dos agentes penitenciários federais encontram seus limites nas suas próprias restrições sociais. Ao isolar os presos nos rincões do Brasil, os trabalhadores também são isolados e afastados de suas comunidades de origem. Oriundos de diversas regiões do país, eles se enxergam presos pelas suas próprias ambições. Passar em um concurso corresponderia um trampolim para outros concursos ou para outros cargos no interior do sistema de segurança nacional, mas vem se configurando como um calvário das próprias expectativas.
            Apenas no ano de 2009, dos 234 agentes penitenciários lotados na Penitenciária Federal de Catanduvas/PR 21 pediram exoneração ou vacância do cargo. De forma geral, trabalhadores que foram qualificados e que receberam investimentos do governo federal não resistiram à distância em relação a suas casas e a distância em relação aos seus sonhos, interrompendo ou reorganizado os projetos de vida. Pior, como salienta Elton Acosta, está distância entre o local de trabalho e os antigos espaços de sociabilidade também se faz presente entre aqueles trabalhadores ainda “presos” em Catanduvas/PR.
            Tal situação demonstra que a elaboração de um grande sistema prisional garante a reclusão de criminosos importantes, mas, ao mesmo tempo, pode fomentar a castração das pessoas que dão vida e sustentação ao próprio sistema. Os trabalhadores, os agentes, que buscam no concurso federal segurança e um planejamento de vida, encontram e visualizam sobre os muros do presídio um horizonte distante, tão distante que as características que marcam o perfil da categoria parecem ser pequenas quando comparadas as lacunas que separam os objetivos do auto-isolamento...