quinta-feira, 19 de maio de 2011

A Responsabilidade Social nas organizações e algumas poucas contradições


Hoje o movimento Fronteira Zero traz uma discussão sobre um tema bastante curioso e de certa forma contraditório, a conhecida “responsabilidade social” ao qual “voluntariamente” grandes e médias empresas, com ações negociáveis na bolsa de valores, ou não, vêm adotando.

Incentivados pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), várias organizações comerciais e públicas aceitaram e aceitam demonstrar a “responsabilidade social” praticada por meio de um relatório denominado Balanço Social. Existem alguns modelos diferentes de Balanços Sociais criados por outros institutos, entretanto, devido ao prestigio e o pioneirismo, a maior parte das empresas utilizam o relatório proposto pelo Ibase. 

O Balanço Social do Ibase busca propiciar a sociedade uma forma de controle social dos atos praticados pelas organizações e é apresentado por categorias. Essa divisão auxilia o usuário da informação na compreensão do documento, ao todo são sete, e destacaremos neste texto quatro delas as quais julgamos as mais relevantes:

1 - Indicadores sociais internos – demonstra os investimentos que a organização realizou, obrigatórios e voluntários aplicados ao corpo funcional (alimentação, previdência privada, educação, entre outros);

2 - Indicadores sociais externos  - demonstra os investimentos voluntários da empresa em relação à sociedade em geral (projetos e iniciativas nas áreas de educação, cultura, saúde, combate à fome, entre outros);

3 - Indicadores ambientais -  demonstra os investimentos ao qual visa compensar os impactos ambientais causados pela empresa, bem como melhorar a qualidade ambiental da produção/operação;

4 - Indicadores do corpo funcional – demonstra as formas de relacionamento da empresa com seu publico interno, ou seja, criação de postos de trabalho, terceirização, número de estagiários, valorização da diversidade (negros, mulheres, deficientes e idosos), e participação de grupos historicamente discriminados no país em cargos de chefia e gerenciamento da empresa (mulheres e negros).
            Analisando os itens que compõem o demonstrativo, observa-se que o mesmo não é uma demonstração contábil tão interessante para as empresas apresentarem para a sociedade, afinal na posse destes dados é possível fazer uma análise criteriosa dos chamados “benefícios” que as organizações trazem para a sociedade e perceber que esses investimentos são medíocres.

Neste sentido, o Balanço Social configura-se como uma ferramenta importante num contexto capitalista, apesar das leis brasileiras não impor a obrigatoriedade desta demonstração. Por outro lado, para as empresas que aderem à idéia, o Balanço Social é uma forma “convincente“ de mostrar para a sociedade sua generosidade com os aspectos sociais.

Mas será que não existe nem outro motivo que levam as empresas se apresentarem como “responsáveis“, mesmo que a realidade prove o contrario? É claro que sim. Universalmente existe uma cultura de valorização das empresas socialmente responsável, assim, certos investidores preferem aplicar seu capital em empresas que se “preocupam com o próximo” bem como as que seguem o modelo de governança corporativa.

Ao ser reconhecida por sua responsabilidade (voltamos a dizer, mesmo que essa responsabilidade não seja efetiva) as organizações usam esse título como marketing empresarial. Inúmeros consumidores preferem comprar produtos de empresas que utilizam um selo indicando sua responsabilidade, ou que compartilha parte de suas receitas com entidades filantrópicas, mesmo que os produtos sejam mais caros.

Assim, insistimos em dizer que numa perspectiva capitalistas demonstrativos como o Balanço Social é importante, pois fornece informações úteis para a sociedade, entretanto, o problema desta ferramenta de controle é que além de não ser obrigatória em nosso país, suas informações não precisam ser auditadas por empresas de auditoria, ou seja, fica a cargo da própria sociedade investigar se as informações apresentadas nos relatórios são verdadeiras.

Por tudo isso, torna-se complicado acreditar que uma empresa opte por livre e espontânea boa vontade contribuir com a superação das expressões da “questão social”, como é transmitido a nós através das mídias. Entretanto, o problema pode ir além quando se observa organizações posando de responsáveis quando em seu interior existe a exploração e expropriação da força de trabalho, a má remuneração e até a utilização de trabalho escravo. 


Um comentário:

  1. "Malditos imundos que não sabem lucrar, pedem dinheiro pra se endividar. Vamos criar uma instituição,uma instituição nacional pois o verde queremos salvar."

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